Agro de Primeira MT: Luiz Piccinin fala de tecnologia e futuro no campo

Entrevistado do podcast semanal do agro, o empresário Luiz Piccinin fala das novidades tecnológicas para o trabalho no campo.

Presidente de um grupo de concessionárias de máquinas agrícolas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Luiz Piccinin, aos 69 anos, acompanhou a evolução da tecnologia no campo.

“Nos últimos anos, as indústrias deixaram de construir ferro e passaram a produzir tecnologia. Hoje as máquinas são muito tecnológicas e são fábricas de dados”

Com isso, o produtor melhora as operações no campo e ganha tempo. Pode até se dar ao luxo de de se ausentar da fazenda e acompanhar a operação da tela do celular dele. Liberdade que antes era impossível de se imaginar.

Pulverizador inteligente

Máquinas autônomas estão entre as mais novas tecnologias embarcadas no campo. Elas são capazes até de fazer manobras sem necessitar do motorista.

Outra novidade apontada pelo presidente da Áster/John Deere é um pulverizador que só aplica herbicida onde há erva daninha.

“Com isso, você vai ter uma economia gigantesca de defensivos, 80, 90% de economia. Tem redução de impacto ambiental porque você vai usar muito menos herbicidas nessas lavouras com melhoria na produtividade”, disse o empresário.

Piccinin cita a construção de um centro de pesquisa da John Deere em Indaiatuba-SP para o desenvolvimento de máquinas e equipamentos adequados ao clima tropical.

“Antes eram criados nos Estados Unidos e vinham pra cá. Mas lá, com um clima temperado, a operação é totalmente diferente. Às vezes a máquina é usada uma vez por dia e o próprio fazendeiro ou membro da família fazem a operação. Aqui, troca-se o operador e a máquina continua trabalhando 20, 22 horas por dia. Então, esse centro vai ser de suma importância para melhoria de nossa agricultura”, afirma.

Ele diz que 80% dos produtores de Mato Grosso utilizam alguma tecnologia na fazenda pra facilitar a gestão, reduzir custo, aproveitar melhor janela de produção e, consequentemente, a produtividade, o lucro com sustentabilidade e proteção ao meio ambiente.

Centro de soluções conectadas

A concessionária tem um Centro de Soluções Conectadas para dar suporte às máquinas de forma online.

São 12 pessoas que acompanham a evolução e funcionamento da máquina online. Quando tem código de erro na máquina, agrônomo ou engenheiro mecânico entra em contato com operador e resolve o problema por telefone. 80% dos problemas são resolvidos assim. Isso agiliza o tempo de plantio e colheita porque poupa o tempo que o técnico teria de se locomover até a fazenda.

Claro que tudo isso precisa de conectividade. Para garantir a internet no campo, a empresa está investindo na instalação de 88 torres de sinais 3G e 4G numa região de 4 milhões de hectares, atendendo cerca de 700 mil famílias.

Futuro no campo

Para Piccinin, o Brasil está começando a consolidar a inovação no campo. Segundo ele, 80% das propriedades de Mato Grosso usam algum tipo de tecnologia nas operações da fazenda para facilitar a gestão.

Máquina agrícola gigante é símbolo de tecnologia no campo.
Máquina agrícola é símbolo de tecnologia no campo. (Foto: Áster/John Deere)

Com isso, o homem do campo consegue reduzir custo, aproveitar melhor as janelas cada vez mais curtas de plantios e de colheitas para ter maior produtividade e, consequentemente, melhorar o lucro.
Ele ressalta que tudo isso com sustentabilidade e preservação ambiental.

O uso da tecnologia ajuda o produtor a tomar decisões baseado em dados e não de forma empírica, apenas na intuição.

A tecnologia, com conectividade no campo, dá a oportunidade de fazer a correção automática de qualquer problema que possa acontecer.

Em 10 anos, acredita que haverá máquinas autônomas ligadas entre si com apenas um operador controlando 10, 15 delas.

Apesar disso, diz não achar que a mão de obra será substituída pelas máquinas, mas, sim, que haverá uma mudança no perfil exigindo mais estudo da profissional do campo.

O novo perfil vai exigir intepretação de dados, conhecimento em conectividade.

“Mais capacitado será, também, melhor remunerado”, vaticina o empresário.

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Comentários (1)

  • Lindomar

    Certíssimo o Luiz, somando-se a tudo isso, em breve teremos também internet nacional para aproximar esse futuro

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