Amendoim: Casul não confirma beneficiamento em MS neste ano
Cooperativa de amendoim aponta insegurança jurídica no agro como motivo da incerteza.
A Casul (Cooperativa Agropecuária de Parapuã), de Bataguassu, atribui a falta de data de início do beneficiamento de amendoim em Mato Grosso do Sul à “insegurança jurídica” do Brasil. A ativação da linha de produção estava prevista para o segundo semestre. O total de investimentos na cooperativa é de cerca de R$ 120 milhões, com geração de 200 empregos fixos.
“O processo de beneficiamento será o próximo módulo a ser implementado, sem data definida ainda, devido a atual insegurança jurídica e econômica que se encontra o Brasil nesse momento”, disse Djalma Migliorini, diretor de marketing da cooperativa.

Fundada em 1960 por produtores de café, a Casul está em Bataguassu desde 2022, quando muitos produtores cooperados no estado de São Paulo migraram para o Mato Grosso do Sul em busca de áreas com custos mais baixos para o cultivo do amendoim. A perspectiva de exportações pelo oceano pacífico com a construção da Rota Bioceânica também serviu de incentivo para apostar no estado, hoje, segundo maior produtor de amendoim do Brasil.
Na unidade de Bataguassu, que ganhou incentivos fiscais do governo estadual e área da prefeitura, a cooperativa comercializa insumos agrícolas, presta assistência técnica, realiza recebimento, pré-limpeza, secagem, armazenagem e comercialização de amendoim e soja.
Entre cooperados agricultores e pecuaristas são 432 no estado. Nas culturas de amendoim, soja, cana, milho, entre outros .
Para fazer parte da cooperativa, é necessário ser produtor rural, pessoa física ou jurídica, atuante na atividade agropecuária, aceitar e respeitar os princípios do cooperativismo, solicitar formalmente a admissão junto à cooperativa, ter a proposta aprovada pelo Conselho de Administração, conforme o estatuto, integralizar as cotas-partes do capital social (R$ 100,00), cumprir o estatuto social e os regulamentos internos, participar das atividades, utilizar os serviços e comparecer às assembleias.
O amendoim que chega em Batagaussu passa por pré-limpeza, secagem, armazenagem e é transferido para unidade de Parapuã, no interior de São Paulo, onde é feito o beneficiamento, o blancheamento e o processo de exportação do produto.
Os grãos que não atendem aos padrões para consumo são destinados à extração, onde passam pelo esmagamento para a obtenção do óleo bruto de amendoim, também destinado à exportação.
Hoje, a Casul Peanuts tem capacidade de produção de amendoim sem casca de 6 toneladas por hora, totalizando 144 toneladas por dia, números que devem crescer quando a fábrica de Bataguassu passar a funcionar.
Esmagadora de amendoim em MS
A esmagadora em Mato Grosso do Sul era esperada para este ano. Mas os dois dirigentes da cooperativa ouvidos pelo Primeira Página, não confirmam essa possibilidade. Além do diretor de marketing, também falamos com o gerente comercial, Marcelo Sahn.
“Produtores rurais, cooperativas e empresas do setor não têm clareza, estabilidade ou previsibilidade sobre as leis, regras e decisões que envolvem o agronegócio do Brasil”, afirma Sahn.

Como insegurança jurídica para investimentos, eles citam:
- mudança de interpretação da lei por órgãos ambientais ou pelo Judiciário;
- revisão de normas estaduais ou federais;
- questionamento sobre áreas que antes eram consideradas consolidadas
- riscos do produtor ser multado ou obrigado a recompor áreas que já eram produtivas há décadas
- acesso a crédito rural e seguro agrícola podem ser suspenso de uma hora para a outra
“Entre todas essas dificuldades, achamos que seguro agrícola é o maior vilão. Sem essas garantias para o produtor, projetos de investimento ficam paralisados por medo de sanções futuras”, disse Migliorini.
Em Bataguassu, a Casul gera 70 empregos diretos e mais de 100 indiretos segundo o diretor de marketing.
Além do beneficiamento, a cooperativa tem planos futuros de construir o sistema de blancheamento do amendoim, esmagamento do amendoim para retirada de óleo bruto e comercialização do farelo de amendoim retirado do esmagamento.
Amendoim em MS
No episódio 14 do podcast Agro de Primeira MS, o secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, falou sobre a importância da cultura no estado.

A cultura veio como uma das soluções para recuperação de áreas degradadas de pastagens.
“Quando da crise da soja, buscamos opções. Havia amendoim no estado, mas mas os produtores tinham incertezas sobre venda do produto. Fomos buscar a Casul, agora, tem pra quem vender, tem preço. Já estamos com 43.000 hectares plantados com previsão de chegar a 60.000”, informou o secretário.
Veja a íntegra do podcast Agro de Primeira MS com Jaime Verruck, clicando aqui.
Ele também disse que outras três empresas já estão em processo de implantação no estado para beneficiamento do grão. Em Angélica, Chapadão do Sul e em Glória de Dourados.
Sobre a decisão da Casul de não confirmar o cronograma de implantação da fábrica, nós tentamos contato com a Semadesc via assessoria, mas não obtivemos resposta.
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