STJ homologa acordo fundiário após 34 anos de disputa em MS

Com acordo fundiário, produtora rural receberá R$ 6 milhões de indenização até 2027

​O Cejusc/STJ (Centro Judiciário de Solução de Conflitos do Superior Tribunal de Justiça)  homologou o acordo fundiário de terras no município de Juti (MS) envolvendo produtores rurais e indígenas da Terra Indígena Jarará. A conclusão das negociações representa o encerramento de um longo período de mais de 30 anos de disputa fundiária.

Fazenda
Produtores rurais e indígenas assinam acordo fundiário em MS. (Foto: Gerada com IA)

Com a decisão, a área total de 479 hectares, demarcada como terra indígena em 1992, será incorporada ao patrimônio da União.

O acordo fundiário prevê a devolução do território à comunidade indigena, e a indenização no valor de R$ 6 milhões, aos produtores rurais da região. O Governo Federal tem até 31 de janeiro, para providênciar a expedição do precatório, o pagamento está previsto para 2027 e deve ser feito pelo TRF da 3ª Região.

Já a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) ficou responsável de realizar junto ao Cartório de Registro de Imóveis de Caarapó, todas as diligências cabíveis para concretizar a transferência do domínio da respectiva área.

Ainda de acordo com o STJ, o governo federal pode entrar com uma ação judicial contra Mato Grosso do Sul para que o estado ressarça o valor da indenização aos cofres federais por ter emitido o título de propriedade que deu origem à disputa judicial.

Apoios no processo judicial

A pacto mediado pelo MPI (Ministério dos Povos Indígenas), AGU (Advocacia Geral da União) e celebrado perante o STJ (Superior Tribunal de Justiça) contou com o apoio de entidades estaduais ligadas ao agronegócio, como a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, afirma que a homologação é mais um exemplo de que, com diálogo, é possível construir soluções que tragam segurança jurídica ao campo.

“Esse acordo mostra que é possível encontrar um caminho resolutivo quando há maturidade de todas as partes envolvidas que estão dispostas a conversar. Estamos falando de uma família que aguardou por mais de 30 anos uma definição da justiça em busca de seus direitos, assim como os indígenas”, afirmou Bertoni.

Famasul auxiliou nas negociações para o acordo fundiário em Juti/MS
Famasul auxiliou nas negociações para o acordo fundiário em Juti/MS

Em carta enviada à Famasul, a proprietária rural agradeceu o apoio institucional que conduziu o caminho até o acordo fundiário de sua fazenda.

“Existe um sentimento de alívio, por ter encontrado uma parceria como a Famasul. De ter encontrado, essa disposição de nos ouvir, compreender, ajudar e orientar. Porque senão a gente ia estar batendo de porta em porta, como já fizemos em outras ocasiões, sem conseguir uma resolução. É um trabalho que eu acho que realmente justifica, enriquece a atuação da federação”, disse a proprietária.

Leia também: Indenização de terras indígenas não é obrigação só do produtor

Acordos fundiários em MS

O acordo fundiário em Jutí é o segundo concluído em Mato Grosso do Sul, envolvendo produtores rurais e comunidades indígenas.

Visita feita pela Comissão Fundiária da 3ª Região em fazenda alvo de conflito em Juti/MS. (Foto: Justiça Federal)
Visita feita pela Comissão Fundiária da 3ª Região em fazenda alvo de conflito em Juti/MS. (Foto: Justiça Federal)

No estado, a primeira homologação de forma consensual ocorreu em 2024, na qual foram negociadas terras no município de Antônio João, fronteira com o Paraguai. O acordo envolveu fazendeiros e povos da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu.

De acordo com o presidente do Sistema Famasul os acordo fundiários em Mato Grosso do Sul garantem aos produtores rurais mais segurança, estabilidade judicial e financeira no campo.

“Somente assim os produtores estarão seguros para investir em suas propriedades e contribuir para o desenvolvimento econômico do setor e da região”, ressaltou Bertoni.

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