Bactéria da Caatinga inibe germinação de planta daninha
Bioherbicida á base de bactéria da Caatinga demonstrou capacidade de inibir a germinação da buva.
Uma nova pesquisa divulgada nesta terça-feira (16) pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), revela a descoberta de uma bactéria nos solos da Caatinga capaz de inibir a germinação da buva (Conyza canadensis), uma das plantas daninhas mais resistentes a produtos químicos e de difícil controle do país. O uso de microrganismos e de moléculas bioativas da bactéria deve reduzir a dependência por químicos sintéticos.

Os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e da USP (Universidade de São Paulo), campus de Ribeirão Preto, identificaram moléculas naturais com efeito herbicida na bactéria, abrindo espaço para o desenvolvimento de um defensivo inédito, sustentável e adaptado à realidade da agricultura do Brasil.
A buva, uma das principais inimigas dos agricultores, pode ser encontrada em praticamente todas as regiões do país. A planta que já não responde a diferentes tipos de herbicidas sintéticos, eleva os custos de produção, compromete a produtividade e aumenta o risco de impactos ambientais decorrentes do uso intensivo de defensivos.
O estudo, publicado na revista científica Pest Management Science, foi conduzido pelo químico Osvaldo Ferreira, sob orientação dos pesquisadores da USP Danilo Tosta Souza e Luiz Alberto Beraldo de Moraes, em colaboração com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Itamar Melo.
Ponto de partida da pesquisa
A pesquisa foi iniciada com a triagem de actinobactérias de diferentes biomas brasileiros. O objetivo era testar o potencial dos compostos bioativos na inibição de plantas daninhas. Dentre todos, a cepa Streptomyces sp. Caat 7-52 encontrada na Caatinga destacou-se na triagem ao apresentar forte efeito fitotóxico (prejudicial às plantas).
“A Caatinga pode ser vista como um laboratório natural. Os microrganismos que vivem nesse ambiente desenvolveram estratégias únicas de sobrevivência e, muitas vezes, produzem moléculas inéditas que podem ser aproveitadas para diferentes aplicações”, explicou Itamar Melo.
A análise química revelou dois compostos principais produzidos pela bactéria: o ácido 3-hidroxibenzóico e a albociclina. Sendo a última descrita pela primeira vez com atividade herbicida.

A albociclina demonstrou ser capaz de inibir a germinação da buva em baixas concentrações (6,25 µg/mL), com o resultado o composto se mostra promissor para o desenvolvimento de novos bioherbicidas, principalmente por combater uma planta que já não responde bem aos produtos disponíveis no mercado.
Outro diferencial do trabalho foi o estímulo à produção de albociclina e de seus análogos, ampliando a diversidade química das moléculas obtidas, garantindo maior rendimento do composto e elaboração de variantes estruturais com diferentes níveis de atividade biológica.
Caldo da bactéria
Além da extração de moléculas específicas, os testes com caldo fermentado bruto da bactéria foram igualmente animadores, apresentando efeito seletivo contra plantas daninhas dicotiledôneas sem a necessidade de processamento químico com solventes. O que reduz os custos de produção e as etapas de purificação do composto, favorecendo o desenvolvimento de um produto mais acessível ao agricultor.
Nas próximas etapas devem ser realizados testes em condições de campo, avaliação da eficácia em diferentes culturas, análise dos efeitos dos metabólitos em organismos vivos não alvo e desenvolvimento de formulações comerciais e ecotoxicologia. O objetivo é integrar a tecnologia a programas de MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas).
Potencial dos biomas
A descoberta reforça a importância de investir na bioprospecção de microrganismos nativos dos biomas brasileiros. A Caatinga, geralmente vista por sua fragilidade ecológica, mostra-se também um reservatório de biodiversidade microbiana capaz de gerar inovações estratégicas para a agricultura.
“Esse é um exemplo de como a ciência pode transformar a biodiversidade brasileira em soluções inovadoras. A Caatinga guarda um potencial enorme, e estamos apenas começando a explorá-lo”, afirmou Tosta.

O Brasil é um dos principais importadores de herbicidas do mundo, e descobertas assim garantem a competitividade no agronegócio, e ao mesmo tempo, oferecem alternativas para a redução de impactos ambientais e práticas agrícolas de baixo carbono.
Leia mais
Mais lidas - 1 Tecnologia de precisão corta até 90% do uso de herbicidas na agricultura
- 2 Ibama reavalia defensivos agrícolas com metomil e tiodicarbe
- 3 Academia de Talentos prepara universitários para atuar no agro de MS
- 4 Giro de Pesquisa da Aprosoja MT está com inscrições abertas
- 5 Acordo Mercosul-UE é divisor de águas, diz especialista
- 1 Tecnologia de precisão corta até 90% do uso de herbicidas na agricultura
- 2 Ibama reavalia defensivos agrícolas com metomil e tiodicarbe
- 3 Academia de Talentos prepara universitários para atuar no agro de MS
- 4 Giro de Pesquisa da Aprosoja MT está com inscrições abertas
- 5 Acordo Mercosul-UE é divisor de águas, diz especialista





