Boi que não arrota: inovação de pecuarista de MT ganha o mundo

Fórmula criada em Rondonópolis já foi reconhecida internacionalmente e pode ajudar o Brasil a cumprir metas globais de redução de gases do efeito estufa

Uma descoberta feita em Mato Grosso pode ajudar o Brasil e o mundo a reduzir as emissões de gás metano, um dos principais vilões do aquecimento global. O pecuarista e engenheiro florestal Márcio Jorge, de Rondonópolis (MT), desenvolveu uma ração especial para bovinos que diminui em até 77% a liberação do gás produzido durante a digestão dos animais.

O metano é 28 vezes mais potente que o dióxido de carbono no aumento da temperatura da atmosfera, e o Brasil está entre os cinco países que mais emitem o gás, sendo a pecuária a principal fonte dessas emissões.

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Produtor de MT desenvolve ração bovina que reduz mais de 70% da emissão de metano. Foto: Ilustrativa | Divulgação.

Segundo o produtor, a ideia surgiu quase por acaso, quando buscava alternativas para reduzir os custos da alimentação do rebanho.

“Eu queria substituir a mistura de silagem e capim por algo mais prático. Ouvi que o boi precisava desse alimento por ser ruminante, mas pensei: ‘por que não tentar algo diferente?’”, contou Márcio.

Com formação em engenharia florestal, química e nutrição animal, o pecuarista passou a desenvolver fórmulas que eliminassem a necessidade do volumoso. O resultado foi uma ração à base de milho moído e subprodutos da agroindústria, como farelo de soja e torta de algodão, somada a uma molécula que reduz o hidrogênio produzido no rúmen, o estômago dos bois.

“Usei lisina e taurina ionizadas, capazes de capturar parte do hidrogênio em excesso dentro do rúmen. Isso reduz a produção de metano e elimina quase toda a necessidade de volumoso, a principal fonte de carbono no processo”, explicou.

A ração, certificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além de reduzir as emissões, gerou economia de cerca de 70% nos custos de alimentação da fazenda. A fórmula já foi apresentada em seis congressos internacionais e publicada em revistas científicas, incluindo uma da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Outros pecuaristas da região também começaram a testar o novo modelo. “O que mais me agradou foi a praticidade e a diminuição da emissão de metano, que é algo muito importante para o planeta”, disse João Paulo Bores Souza, vizinho e também produtor rural.

De acordo com o Observatório do Clima, o Brasil aumentou em 6% suas emissões de metano entre 2020 e 2023, mesmo após ter assinado, junto com mais de 150 países, o compromisso de reduzir em 30% as emissões globais até 2030.

O secretário-executivo do Observatório, Márcio Astrini, destacou que o país tem tecnologia e condições de reverter esse cenário.

“Temos conhecimento e exemplos práticos, como o do Márcio. O desafio é levar essas soluções em escala, com políticas públicas e investimento em inovação. Reduzir o metano é quase um atalho para frear o aquecimento global”, afirmou.

Se aplicadas em larga escala, tecnologias como a desenvolvida em Rondonópolis podem representar um avanço significativo na busca por uma pecuária mais sustentável, com menor impacto ambiental e maior produtividade.

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