Carne de peixe de laboratório tem estudo inédito da Embrapa
Pesquisa analisa aceitação e impacto no mercado
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pesca e Aquicultura realiza, pela primeira vez, uma pesquisa nacional para avaliar a aceitação da carne de peixe produzida a partir de células. O levantamento busca identificar a percepção do consumidor, o interesse de compra e os fatores que podem influenciar a entrada desse produto no mercado brasileiro.

A pesquisa leva cerca de oito minutos para ser respondida e não é identificada. O questionário deve ficar disponível até maio e deve ouvir pelo menos 300 pessoas, como um padrão de pesquisa psicométrica. Acesse a pesquisa online aqui.
Segundo o supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT) da Embrapa Pesca e Aquicultura, Diego Neves de Sousa, os estudos sobre a chamada “agricultura celular” ainda são incipientes no Brasil, especialmente no setor de pescados.
“A pesquisa é importante porque permite identificar as preferências do consumidor e suas intenções de compra em relação à carne de peixe cultivada a partir de células, avaliando se haverá aceitação no mercado”, explica.

Carne de peixe à partir de células
A carne de peixe cultivada é produzida a partir de uma pequena amostra de células retiradas dos peixes. Em seguida, as células são cultivadas na indústria até crescerem e formarem a carne, sem a necessidade das etapas de criação e abate de animais.

Em entrevista ao Portal Primeira Página o pesquisador responsável pelo estudo da Embrapa Pesca e Aquicultura, Eduardo Varela, explica que a intenção dessa pesquisa é mensurar o entendimento e as atitudes da população em relação a esse tipo de inserção de proteínas no mercado.
“A carne de peixe cultivada a partir de células é uma tecnologia emergente, já desenvolvida há mais de 10 anos por empresas de inovação e startups que desenvolvem pesquisas para o futuro lançamento no mercado”, apontou Varela.

Ele aponta que o estudo além de diversificar e aumentar a oferta de proteína animal de qualidade, também deve aumentar o acesso da proteína de peixe aos diversos perfis de consumidor.
“Expandir o mercado consumidor de peixe para o consumidor vegano uma vez que essa carne não tem abate e sacrificio animal, bem como o consumidor consciente que se preocupa com a forma e origem da produção de proteína animal de forma mais sustentável”, explicou o pesquisador.
Por fim, Varela afirma que os resultados do levantamento poderão contribuir para estudos sobre a aceitação de novas tecnologias alimentares e subsidiar políticas públicas, além de estratégias de comunicação voltadas à sustentabilidade e à inovação no setor de pescados.
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