Casa de Extração fortalece produção de mel indígena
Projeto da Agraer oferece capacitação e entrega agroindústria para Aldeia Anodi em Brasilândia
Uma comunidade indígena de Brasilândia/MS, recebeu capacitação e uma Casa de Extração de Mel, com equipamentos essenciais para o processamento da produção local. A ação integra o projeto “Implantação de casa de extração de mel na Aldeia Anodi – Terra Indígena Ofaié: O povo do mel”.

A estrutura elaborada em um container retangular adaptado, possui uma centrífuga elétrica, decantadores e materiais de consumo para o processo produtivo.
Além da entrega do espaço e equipamentos, a equipe da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) fez capacitações em Boas Práticas de Colheita e Beneficiamento do Mel, Boas Práticas de Higiene em Agroindústrias e treinamento específico para uso dos novos utensílios. A preparação técnica incluiu desde o manejo seguro até as etapas finais de envase e rotulagem.
A iniciativa foi coordenada pela Agraer de Brasilândia, sob liderança da engenheira agrônoma Francielle Louise Malinowski, com apoio técnico do setor de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural) em Apicultura, representado pela engenheira agrônoma Francimar Perez, e da área de Agroindústria, com a economista doméstica Mariana Corrêa.

Durante o projeto foi desenvolvido ainda um rótulo próprio para o mel da aldeia, com elementos culturais e visuais que representam a identidade dos Indígenas Ofaié.
O planejamento para execução do projeto começou em dezembro do ano passado, durante o primeiro semestre foi adquirido o contêiner e os equipamentos, e recentemente, foram concluídas as instalações elétricas e hidráulicas, garantindo o pleno funcionamento da casa de extração.
A coordenadora local da Agraer, Francielle Malinowski, afirma que o avanço representa mais do que infraestrutura — é também reconhecimento cultural.
“A comunidade Ofaié tem uma relação ancestral com o mel. Levar tecnologia, segurança e boas práticas para esse território é fortalecer essa identidade e permitir que eles avancem na produção com autonomia e qualidade”, pontuou.

Já a economista doméstica Mariana Corrêa, responsável pela capacitação em manipulação de alimentos, destaca que a iniciativa garante segurança e organização ao processo produtivo.
“Ensinar as boas práticas é garantir que cada frasco de mel carregue não só o sabor, mas também a confiança e o cuidado de toda a comunidade. Ver as mulheres e jovens participando ativamente mostra o potencial dessa cadeia produtiva”, explicou.
Representatividade ancestral
Conhecidos como “O Povo do Mel”, os Ofaié preservam saberes antigos sobre espécies de abelhas nativas — muitas delas nomeadas em sua língua materna.
O indígena e representante da comunidade, Carlos Coimbra, reforça a importância da presença da Agraer na região, ensinando o caminho certo à percorrer até a venda do mel. Ele destaca ainda que os novos equipamentos irão impactar diretamente na produção agroindustrial na aldeia.
“Antes de a gente receber os equipamentos, era tudo manual. A produção era pouca e desperdiçava muito mel. Agora, com essas máquinas mecanizadas, vai melhorar muito. Antes, nossa produção anual era em torno de 300, 350 quilos de mel. Com tudo mecanizado, vai mais que dobrar essa produção, com menos desperdício. Está facilitando muito, porque agora temos um lugar adequado para fazer a extração”, afirmou.

Por se tratar de uma terra indígena, o mel processado será destinado à própria comunidade por meio do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), modalidade doação simultânea, dispensando a exigência de inspeção oficial para produtos de origem animal.
Desde 2021, a Agraer acompanha a comunidade, incluindo os três módulos de capacitação em apicultura e meliponicultura. O escritório local da entidade oferece atendimento contínuo e apoio na execução de projetos de comercialização, garantindo geração de renda e segurança alimentar.
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