Cultivo escalonado de citros beneficia economia de MS
Controle de pragas e erradicação de greening é fundamental para avanço da citricultura
Com o plantio restrito de citros no estado de São Paulo, devido a elevada incidência de pragas e doenças, o Mato Grosso do Sul surge como uma região estratégica para o crescimento da citricultura. Parcerias entre entidades estaduais, produtores e instituições técnicas têm fortalecido a viabilidade dos novos empreendimentos, e consequentemente, a expansão do cinturão citrícola.

No ano passado, o estado possuía cerca de 3 mil hectares de citros ainda em fase inicial, já em 2025 esse número cresceu 500% e já supera os 15 mil hectares, totalizando mais de 7 milhões de mudas plantadas.
Com projetos já contratados, a Semadesc estima uma expansão dos pomares nos próximos anos, podendo chegar aos 30 mil hectares.
O secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, informou que grande parte dos pomares ainda está em formação, na chamada fase de ramp up, mas ainda assim a fruta já se destaca entre os produtos mais comercializados no estado.
“A laranja já desponta como o 4º produto mais comercializado na CEASA/MS, com uma média de cerca de 1,2 mil toneladas vendidas por mês apenas nesse entreposto, o que sinaliza a relevância crescente da cadeia para o abastecimento interno”, acrescentou.

A escalonagem da cultura em meados de 2024, têm proporcionado muitos benefícios para o setor agrícola local como:
- Diversificação da matriz produtiva;
- Geração de novos empregos;
- Instalação de grandes estatais;
- Aumento de investimentos em tecnologia de ponta;
- Ambiente sanitário competitivo frente a outros estados.
De forma geral, a citricultura abre novas oportunidades em áreas já destinadas à grãos e florestas, reduzindo a dependência por essas culturas e ampliando as opções de cultivos duradouros de alto valor.
Cuidados que vem junto à expansão
Junto à expansão do setor, as ações de vigilância também são ampliadas, a fim de controlar a incidência de pragas e doenças nos pomares, e, consequentemente, grandes prejuízos econômicos.
A murta, também conhecida como “dama-da-noite”, é uma espécie ornamental exótica presente principalmente em áreas urbanas. A planta é a principal hospedeira do inseto psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), vetor da bactéria causadora da doença HLB (huanglongbing), conhecida como greening.

Considerada a mais grave doença da citricultura mundial, por não ter cura, o HBL provoca o amarelecimento e queda precoce das folhas, deformação e sabor amargo dos frutos, além de reduzir drasticamente a produtividade e a vida útil dos pomares. Uma vez contaminada, a planta cítrica tem que ser eliminada para evitar a disseminação da doença.
“Mesmo em menor incidência, o greening já está presente no estado, assim como o psilídeo, inseto vetor da doença. Por isso, o manejo deve ser conduzido com extremo rigor, garantindo a sustentabilidade dos pomares já instalados e dos futuros plantios”, afirmou o engenheiro agrônomo do Fundecitrus, Murilo Piccin.

As ações realizadas pela Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) junto à cadeia produtiva, engloba a fiscalização, levantamento e monitoramento fitossanitário, complementadas por atividades de educação sanitária a fim de evitar e minimizar todos os problemas que englobam a cadeia produtiva. Entre as principais medidas adotadas, destacam-se:
- Autorização de Plantio de Mudas Cítricas
- Fiscalização do Comércio Ambulante de Mudas
- Registro e Fiscalização do Comércio de Mudas
- Levantamentos e Monitoramento Sistemático de Pragas e Doenças
- Cadastro de Produtores e Citros
- Inscrição de Unidades de Produção e Emissão de Documentos Oficiais
- Erradicação de plantas com sintomas de HLB
Além das ações de verificação, com o apoio da Fundecitrus é realizada a capacitação de mão de obra, por meio de treinamentos de técnicos e colaboradores na identificação das principais doenças e pragas dos citros.
Sanções estaduais
A erradicação da murta em áreas urbanas é essencial para a segurança produtiva dos citros, para isso foram estabelecidos planos e leis estaduais de defesa sanitária vegetal.
Como é o caso da Lei Estadual nº 6.293, de 22 de agosto de 2024, que estabelece a proibição do plantio, comércio, transporte e produção da planta exótica em todo o território estadual.

O Diretor Presidente da Iagro, Daniel Ingold, explica que atualmente o estado está em fase de planejamento estratégico para viabilizar o cumprimento integral do dispositivo legal. Entretanto, algumas ações já estão em execução junto à Semadesc e à Fundecitrus, entre elas:
- Reuniões com prefeituras;
- Campanhas educativas voltadas à eliminação e substituição da murta em áreas urbanas e próximas a pomares comerciais;
- Orientação aos municípios quanto à necessidade de regulamentar o uso dessa espécie em espaços públicos;
- Verificação do cumprimento da proibição do comércio de mudas de murta em estabelecimentos comerciais;
- Realização de avaliação de risco fitossanitário e eventual notificação de erradicação de plantas.
“Por se tratar de uma espécie amplamente utilizada no paisagismo urbano, as ações iniciais têm priorizado a identificação de áreas críticas e a conscientização da população, é fundamental para reduzir as fontes de inóculo e evitar a disseminação da doença”, acrescentou Ingold.

A aplicação de sanções e multas de caráter administrativo são feitas pela Iagro, variando de 30 a 5.000 UFERMS (Unidade Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul), conforme a gravidade da infração.
Em novembro de 2025, o valor da UFERMS está em R$ 52,46. O valor é atualizado mensalmente pela Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda).
O diretor presidente afirma que nos próximos anos as ações deverão consolidar uma estratégia integrada de vigilância e prevenção, estruturada em três eixos principais, sendo eles:
- Oferta de novos cursos e treinamentos voltados a técnicos, viveiristas e produtores;
- Ampliação dos pontos de amostragem e adoção de ferramentas geoespaciais avançadas para execução das atividades;
- Parcerias Institucionais e Projetos Estruturantes Incluindo os Planos Estaduais de Prevenção e Controle de Doenças e do Controle da Murta, em elaboração conjunta com o setor produtivo.
Os projetos têm como objetivo garantir a sustentabilidade, a rastreabilidade e a competitividade da citricultura sul-mato-grossense no longo prazo.
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