DDGS: primeira carga exportada para a China tem origem em MT e MS

As 62.000 toneladas de DDGS para a exportação inédita foram produzidas em unidades da Inpasa em Sinop, Nova Mutum e Dourados.

As 62.000 toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) enviadas pela primeira vez na história do Brasil para a China foram produzidas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A informação é da Inpasa, maior exportadora brasileira do insumo e responsável pela carga.

  • 81% do volume saiu da unidade de Sinop (MT),
  • 11% de Nova Mutum (MT) e
  • 8% de Dourados (MS)

Este percentual se refere exclusivamente ao volume embarcado para o mercado chinês nesta operação, e não à produção total da companhia.

Navio e caminhões no porto para embarque da primeira carga de DDG brasileira para a China.
Embarque da primeira carga de DDGS exportada para a China. (Foto: Mapa)

O DDG é um coproduto obtido a partir do processamento do milho para produção de etanol. O DDGS é sua versão solúvel. Após fermentação e destilação, proteínas, fibras e lipídios remanescentes são concentrados e secos, resultando em um insumo amplamente utilizado na alimentação animal.

O marco histórico para o setor de bioenergia e nutrição animal brasileira se concretizou no último sábado (14), com o embarque no Porto de Imbituba (SC), inaugurando oficialmente o acesso do insumo ao mercado chinês.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atualmente há 20 estabelecimentos registrados como exportadores de proteínas e grãos de destilaria para a China. Desses, seis estão localizados em Mato Grosso e três em Mato Grosso do Sul. 

A Inpasa já tem cerca de 250 mil toneladas negociadas com a China, que poderá importar até 1,5 milhão de toneladas de DDGS da Inpasa ainda em 2026

O navio partiu do Porto de Imbituba após a recente abertura comercial viabilizada pelo Mapa, que conduziu as tratativas sanitárias e técnicas para habilitação das plantas brasileiras.

Mercado em expansão

O embarque ocorre em um momento de crescimento consistente das exportações brasileiras. Em 2024, o Brasil — terceiro maior produtor mundial de milho — exportou cerca de 791 mil toneladas do produto. No mesmo ano, a China importou mais de US$ 66 milhões em insumos dessa natureza voltados à nutrição animal.

DDGS a granel
DDGS à granel comercializado em Mato Grosso do Sul. (Foto Divulgação, Inpasa)

Em 2025, o desempenho avançou ainda mais. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), apontam exportações de 879.358 toneladas de DDG e DDGS para 25 mercados, alta de 9,77% em relação ao ano anterior.

O avanço acompanha a expansão da indústria de etanol de milho no país, que projeta para a safra 2025/2026 produção próxima a 10 bilhões de litros de etanol, com consequente ampliação da oferta de coprodutos.

Estrutura laboratorial e certificações

Para atender aos requisitos internacionais, a Inpasa reforçou sua estrutura técnica. O laboratório da companhia em Sidrolândia (MS) recebeu investimentos em infraestrutura, especialistas e equipamentos, operando sob certificações como ISO 9001, GMP+, ISO 14001, ISCC PLUS, além de selos Kosher e Halal.

Sidrolândia abriga o primeiro laboratório próprio de referência da empresa, certificado pela ISO/IEC 17025, dedicado à análise de DDGS e demais produtos do portfólio. Segundo a companhia, é o único laboratório do setor com essa certificação específica, realizando controle de qualidade em 100% dos lotes embarcados. A estrutura própria também permite reduzir o tempo médio das análises em até 20 a 30 dias frente ao padrão de mercado.

Novo patamar nas exportações

A combinação entre abertura do mercado chinês e ampliação da capacidade produtiva consolida o DDG e o DDGS brasileiro como vetor de agregação de valor à cadeia do milho e da bioenergia. Para o setor, o primeiro embarque à China representa mais do que uma operação comercial: simboliza o posicionamento do Brasil como fornecedor competitivo e confiável na cadeia global de nutrição animal.

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