Déficit de armazenagem gera perda bilionária ao agro de MS

Estudo aponta que falta de silos obriga produtores a vender soja e milho no pico da colheita, reduzindo renda em MS

A falta de capacidade para armazenar grãos em Mato Grosso do Sul provocou uma perda estimada de R$ 6,1 bilhões ao agronegócio na safra 2024/2025.

O impacto do déficit de armazenagem atinge principalmente produtores de soja e milho, que acabam vendendo a produção no período da colheita, quando os preços estão mais baixos.

Os dados fazem parte de um estudo da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul).

Déficit de armazenagem pressiona preços no campo

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul produziu cerca de 24,26 milhões de toneladas de soja e milho, mas dispõe de apenas 16,39 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem (volume máximo estocado).

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o ideal seria armazenar pelo menos 120% da produção anual. Com isso, o estado apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas.

Grãos em produção - déficit de armazenagem
Colheita de soja. (Foto: Wenderson Araujo/Trilux)

Os maiores prejuízos se concentram em municípios com grande produção agrícola. Maracaju lidera as perdas, com R$ 708,5 milhões, seguido por Ponta Porã, Sidrolândia, Dourados e São Gabriel do Oeste. Juntas, essas cidades somam mais de R$ 2,15 bilhões em perdas associadas à falta de armazenagem. Maracaju, maior produtor de grãos do estado, responde sozinho por mais de 11% do total estimado.

Segundo o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o déficit de armazenagem interfere diretamente na saúde financeira das propriedades. “A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade”, afirma.

silos em MT (Foto: reprodução)
Falta de espaço para armazenagem afeta produtores. (Foto: Reprodução)

Apesar do déficit, a capacidade de armazenagem no estado vem crescendo. Entre 2014 e 2025, o volume praticamente dobrou, passando de 8,97 milhões para 16,39 milhões de toneladas. Apenas entre 2024 e 2025, houve aumento de 10,93%, com acréscimo de 1,6 milhão de toneladas.

O economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, explica que a ampliação da armazenagem ocorre após o aumento da produção, e não de forma preventiva. Segundo ele, essa defasagem eleva a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona o custo do frete e reduz os impactos positivos da atividade agrícola na economia local.

Perdas na safra anterior

O levantamento indica que as perdas na safra 2024/2025 equivalem a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no estado.

Segundo o estudo, esse volume seria suficiente para financiar novos investimentos em armazenagem. A Aprosoja/MS defende a ampliação de políticas públicas e linhas de crédito voltadas à construção de silos, especialmente nas regiões com maior déficit de armazenagem.

Mais informações sobre o estudo estão disponíveis no material completo divulgado pela Aprosoja. Acesse aqui.

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