Dia nacional do queijo destaca a resistência do setor em MS

Oscilações do mercado testam a resiliência do produtor familiar de queijos

O Dia Nacional do Queijo, celebrado nesta terça-feira (20), é uma oportunidade para reconhecer a importância desse alimento que atravessa gerações e tradições. No Mato Grosso do Sul, o queijo ocupa um espaço ainda mais especial na culinária sul-mato-grossense, presente desde as receitas caseiras até os cardápios mais requintados.

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Dia Nacional do Queijo celebra relevância do alimento na cultura e na gastronomia brasileira. (Foto: Estância Shalom)

Apesar do reconhecimento cultural e gastronômico, os produtores ainda enfrentam um desafio persistente: o valor pago pelo queijo artesanal, especialmente quando comparado ao investimento necessário para manter padrões de qualidade, boas práticas de produção e certificações.

A Estância Shalom, criada em 2020, é um exemplo de agroindústria familiar voltada à produção de queijos. Localizada em Bandeirantes/MS, a propriedade se dedica à fabricação de queijos mussarela, meia cura, parmesão, capa preta, frescal e artesanais, feitos exclusivamente com leite A2 sem acidez e 100% natural.

queijo
Queijo produzindo na Estância Shalom. (Foto: Estância Shalom)

Ao longo dos anos, a queijaria alcançou certificações essenciais como o SIM (Serviço de Inspeção Municipal) e o SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal – nacional), que garantem a comercialização ampliada e reforçam o compromisso com a segurança alimentar.

Uma das conquistas mais recentes foi o prêmio de Melhor Queijo Meia Cura, Massa Crua do MS, promovido no Rural Tur 2025, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Queijo meia cura
Queijo meia cura premiado em 2025. (Foto: Estância Shalom)

Em entrevista ao portal Primeira Página, a produtora rural e proprietária da Estância Shalom, Sandra Medeiros relata os desafios enfrentados pela empresa, entre eles à desvalorização do trabalho do pequeno produtor.

“Passei bastante luta, bastante sofrimento, mas amo o que faço e pretendo continuar a minha jornada por muitos anos. Muitos consumidores ainda escolhem apenas pelo preço, sem considerar a qualidade”, afirmou Medeiros.

Ela destaca ainda à dificuldade em agregar valor ao produto artesanal, especialmente diante da mão de obra limitada, oscilações de mercado e concorrência com produtos industrializados.

“Temos a fiscalização aqui a cada dois meses, a higienização é muito severa, e às vezes a gente se depara com certas situações que a gente pensa até quando eu vou aguentar. Sou uma pessoa de muita fé e acredito que encontrarei pessoas que vão acreditar em mim e que a gente pode mudar totalmente esse cenário”, completou a produtora.

Proprietária da Estância Shalom
Sandra destaca o amor pelo campo e pelo queijo tradicional. (Foto: Divulgação)

O relato de Sandra traduz a realidade de muitos pequenos produtores artesanais que enfrentam, diariamente, os desafios impostos pelo mercado e pela competição desigual com grandes indústrias. A trajetória da Estância Shalom, no entanto, demonstra que qualidade, dedicação e persistência podem transformar um produto artesanal em referência regional.

Matéria-prima do queijo

O ano passado foi atípico para o setor leiteiro — principal matéria-prima para a produção de queijos. De acordo com o presidente da Assuleite (Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Leite), Éder Campos, o período foi marcado por curtos picos de preços pagos aos produtores, seguidos por quedas acentuadas.

“Pequenos produtores chegaram a receber entre R$ 3,00 e R$ 3,50 por litro no pico de 2025, hoje recebem, em média R$ 1,60 — uma queda de cerca de 43%. Comportamento contrário ao padrão histórico do período de seca, quando a oferta costuma diminuir e os valores sobem”, pontuou Souza.

Ainda assim, o setor tem expectativa positiva para o mês de março, período em que os valores devem voltar a ser mais atrativos.

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