DNA do solo criado em MT detecta em segundos vermes invisíveis que atacam soja
Ferramenta identifica espécies de nematoides com rapidez e ajuda produtores a evitar perdas no campo.
Uma tecnologia desenvolvida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Nova Xavantina, promete mudar o combate a uma das principais ameaças silenciosas do agronegócio: os nematoides. A ferramenta faz a leitura do DNA do solo e identifica, de forma rápida e precisa, espécies que atacam a soja — responsáveis por perdas bilionárias a cada safra.

Os nematoides são vermes microscópicos que vivem no solo. Embora muitos sejam essenciais para o equilíbrio ambiental, há espécies que atacam diretamente as plantas, comprometendo raízes, caules e folhas e reduzindo a produtividade das lavouras.
Para enfrentar esse problema, pesquisadores da Unemat estão desenvolvendo um sistema de diagnóstico que permite identificar diferentes espécies de nematoides em um único exame de laboratório — com rapidez e alta precisão.
A tecnologia combina duas técnicas avançadas: a metagenômica e o qPCR. A primeira funciona como uma “varredura geral” do DNA presente no solo, revelando todos os organismos ali existentes. Já o qPCR amplia o material genético das espécies-alvo em tempo real, permitindo não só identificar o tipo de nematoide, mas também medir a quantidade presente na amostra.
5 benefícios da tecnologia criada em MT
Ferramenta baseada em análise genética do solo permite diagnóstico mais rápido e preciso, ajudando produtores a tomar decisões no campo.
Diagnóstico rápido
Identificação em poucos segundos, acelerando a resposta no campo.
Alta precisão
Análise genética aumenta a confiabilidade dos resultados.
Análise simultânea
Detecta diferentes problemas em um único exame.
Decisão mais eficiente
Ajuda o produtor a agir antes que o problema avance.
Redução de prejuízos
Contribui para proteger a produtividade e evitar perdas.
O exame é do tipo multiplex, capaz de detectar várias pragas simultaneamente. Na prática, substitui métodos tradicionais, que são mais lentos e dependem da análise visual, por um sistema genético mais confiável e eficiente.
Entre os principais alvos estão espécies consideradas altamente agressivas, como Heterodera glycines (nematoide de cisto da soja), Meloidogyne javanica (nematoide das galhas) e Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões), que comprometem a sustentabilidade da cultura em Mato Grosso.
Além do diagnóstico, o projeto também cria um banco de dados genético inédito no estado. Esse mapeamento permite a detecção precoce das pragas e ajuda produtores a adotarem estratégias mais eficientes de manejo, reduzindo perdas econômicas.

Pesquisadores
O estudo é conduzido no AraguaiaBiotech, laboratório de inovação biotecnológica da Unemat em Nova Xavantina. A pesquisa é liderada pelo biólogo Wigis Pereira Peres, que cursa doutorado pela Rede Pró-Centro-Oeste, sob orientação do professor Joaquim Manoel da Silva, doutor em Genética e Biologia Molecular e coordenador do laboratório.
A Rede Pró-Centro-Oeste reúne instituições de ensino e pesquisa de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, com foco em biodiversidade e biotecnologia.
A estrutura do AraguaiaBiotech foi ampliada recentemente com um investimento de R$ 4,6 milhões, resultado de parceria entre a Unemat, a Fapemat e a Finep.
Investimento de R$ 4,6 milhões
Com a nova infraestrutura, a universidade fortalece a atuação em biotecnologia aplicada ao agronegócio, conectando o sequenciamento genético às demandas do campo. A proposta é transformar conhecimento científico em soluções práticas, como diagnóstico da saúde do solo e desenvolvimento de bioinsumos.
Diferente de laboratórios tradicionais, o foco da unidade está na interpretação dos dados genéticos para uso direto pelos produtores rurais, contribuindo para uma produção mais sustentável.
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