Em dia do Pantanal, projeto Fazenda Pantaneira Sustentável recebe R$ 20 mi

O anúncio foi realizado durante a COP30, em Belém, no Pará, na Arena da Agrizone, organizada pela Embrapa Pantanal.

No Dia do Pantanal, o bioma foi presenteado com um investimento de R$ 20 milhões de reais a serem aplicados até 2030 no projeto Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS), da Embrapa Pantanal.

O estudo une ciência, pecuária, governo e filantropia em prol de um modelo produtivo sustentável e de baixo carbono. Os objetivos são: fortalecer a pecuária pantaneira, conservar a biodiversidade e mitigar as mudanças climáticas.

Pessoas assistem à coletiva da Embrapa Pantanal na COP30.
Embrapa Pantanal e entidades de MT anunciam recursos para projeto de fazenda sustentável na COP30. (Foto: Thiago Coppola)

O anúncio foi realizado durante a COP30, em Belém, no Pará, na Arena da Agrizone, organizada pela Embrapa Pantanal. Os recursos anunciados serão direcionados para pesquisa científica, capacitação técnica, monitoramento socioambiental, expansão da plataforma digital FPS e implementação de boas práticas produtivas nas fazendas pantaneiras.

Recursos para o Pantanal

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci) investirá R$ 3,5 milhões em pesquisas e ações voltadas à criação da Base Ativa de Germoplasma (BAG) de pastagens nativas — uma etapa essencial para o melhoramento genético e o manejo sustentável das pastagens do Pantanal.

O investimento também incluirá o manejo sustentável do Cambará, fortalecendo o uso racional dos recursos naturais e a consolidação de novas boas práticas no programa.

“O Projeto Fazenda Pantaneira Sustentável representa mais do que uma iniciativa técnica: é um instrumento que reafirma o compromisso de Mato Grosso com o desenvolvimento do Pantanal e com quem vive e produz nele. Ao elevar os índices zootécnicos e fortalecer a gestão das propriedades, o projeto garante mais autonomia ao produtor, gera renda e mantém viva a cultura pantaneira — com responsabilidade ambiental, monitoramento e ciência aplicada ao território”, destaca Cesar Alberto Miranda Lima, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso.

Gado é conduzido por pantaneiros em fazenda sustentável. (Foto:Raquel Brunelli D´Avila)
Gado é conduzido por pantaneiros em fazenda sustentável. (Foto:Raquel Brunelli D´Avila)

O Sistema Famato e o Senar-MT destinarão R$ 16 milhões até 2030 para capacitação, assistência técnica e monitoramento das propriedades que adotarem a FPS.

Os recursos serão aplicados na formação de técnicos e produtores, no fortalecimento de programas de extensão rural e na estruturação de sistemas de acompanhamento socioambiental. A meta é consolidar o protocolo como parte da rotina de gestão das fazendas pantaneiras.

“Nosso objetivo é colocar a FPS na rotina das fazendas, e isso já começou. Estamos investindo, por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), em equipes qualificadas para o produtor pantaneiro produzir mais, com menos impacto. A adesão é voluntária e segue um método claro: o técnico apoia a gestão, mede os avanços e corrige o rumo quando necessário. É assim que recomendação vira resultado dentro da porteira”, explica Marcelo Lupatini, superintendente do Senar-MT.

Na esfera internacional, a The Pew Charitable Trusts, organização filantrópica parceira da Coalizão Pontes Pantaneiras, atuará para arrecadar cerca de R$ 5 milhões (US$ 1 milhão) em recursos privados para acelerar a expansão da iniciativa nos próximos dois anos.

Esses recursos apoiarão ações de governança interinstitucional, monitoramento da biodiversidade, uso de tecnologias inovadoras e comunicação nacional e internacional da FPS.

“Esta colaboração inédita eleva a aplicação da Fazenda Pantaneira Sustentável a um novo patamar, ao unir o setor pecuário, os governos estadual e federal, a ciência e a filantropia em torno de um compromisso comum: valorizar a pecuária pantaneira, proteger os modos de vida locais e assegurar a conservação do bioma. É uma oportunidade de demonstrar, na prática, como conservação e produção podem caminhar — e já caminham — juntas no Pantanal”, afirma Miriam Perilli, coordenadora da Coalizão Pontes Pantaneiras.

Segundo Suzana Salis, chefe-geral da Embrapa Pantanal, a ampliação dos investimentos consolida o papel da ciência na construção de soluções sustentáveis para o bioma.

“Apresentar a Fazenda Pantaneira Sustentável na COP é um marco para o Pantanal e para a ciência brasileira. O projeto reflete uma construção coletiva que une pesquisa, extensão rural, produtores e diversos parceiros — do governo, do terceiro setor e de entidades internacionais — em torno de um propósito comum: promover uma pecuária que gere resultados econômicos, sociais e ambientais positivos”, destaca.

Expansão de hectares no Pantanal

Com o novo ciclo de investimentos, a FPS prevê expandir sua atuação para 2 milhões de hectares do Pantanal até 2030, integrando produtores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em uma rede de propriedades comprometidas com práticas sustentáveis e rastreáveis.

O projeto já apresenta resultados expressivos: durante o piloto com 15 propriedades em Mato Grosso, a taxa média de prenhez subiu de 41% para 70,9%, e a idade do primeiro parto caiu de 34 para 28 meses.

“Além de abrigar uma riqueza biológica singular, o Pantanal cumpre papel estratégico na regulação do clima e na manutenção dos ciclos hídricos. Quando bem manejada, a pecuária se torna aliada da conservação e da produção. E com a FPS é possível gerar renda, conservar e planejar um futuro seguro para a região”, reforça Vilmondes Tomain, presidente do Sistema Famato.

A secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, destaca que o embasamento técnico e científico da FPS dá credibilidade aos seus resultados:

“O programa alia ciência, inovação e gestão ambiental, social e econômica em prol de uma pecuária pantaneira cada vez mais sustentável. Seus resultados podem subsidiar políticas públicas, orientar pesquisas e fortalecer decisões estratégicas voltadas ao desenvolvimento do Pantanal.”

O compromisso firmado na COP30 simboliza uma nova etapa para o bioma, marcada pela integração entre governos, produtores, ciência e filantropia, em torno de um mesmo propósito: fortalecer uma pecuária sustentável que valoriza os modos de vida locais, conserva a biodiversidade e contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Seca

O anúncio foi feito no mesmo dia em que o MapBiomas divulgou um estudo preocupante sobre o Pantanal.

O bioma enfrenta o período mais seco das últimas quatro décadas, com uma redução de 75% de áreas alagadas entre 1985 e 2024.

Mais informações sobre esse estudo do MapBiomas, você pode acessar aqui.

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