Estudo revela impacto dos agrotóxicos na água de comunidade em Nossa Senhora do Livramento

Documento foi lançado no último dia 30 e analisou água comunidades em sete territórios do Cerrado

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado lançou, no último dia 30, a publicação “Vivendo em territórios contaminados: Um dossiê sobre agrotóxicos nas águas do Cerrado”. O estudo realizou análises toxicológicas e ambientais sobre a qualidade das águas em comunidades em 7 territórios do Cerrado, entre eles a Comunidade Tradicional Cumbaru, em Nossa Senhora do Livramento, a 42 km de Cuiabá.

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Comunidade em Nossa Senhora do Livramento fez parte da pesquisa-ação (Foto: Reprodução)

A comunidade é formada por 25 famílias que cultivam mandioca, milho, banana e praticam o agro extrativismo.

Essas famílias têm enfrentado a contaminação das águas devido à pulverização de agrotóxicos nas lavouras de soja próximas.

Os impactos dessa contaminação refletem-se nos corpos das pessoas, causando dores de cabeça, mau cheiro e dificuldades para dormir.

Na maioria dos casos, as amostras de águas coletadas e analisadas pela pesquisa são oriundas de nascentes, córregos e rios que abastecem as comunidades, sendo utilizadas para a irrigação de plantações, consumo animal e, em algumas situações, também para o consumo humano. 

Vivendo em meio à contaminação

O Dossiê revelou que mais de 50% da área plantada de soja no Cerrado utiliza a maior quantidade de agrotóxicos, representando aproximadamente 60% de todos os produtos químicos utilizados no Brasil.

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Estudo avalia níveis de contaminação (Foto: Gravatal/Jaguaruna)

Foram identificados 13 agrotóxicos diferentes nas amostras de água coletadas nas sete comunidades participantes, sendo que todos os IAs (ingredientes ativos) identificados são autorizados para uso na soja.

Cerca de 50% desses IAs não são permitidos na União Europeia devido aos malefícios que causam.

O glifosato foi detectado em todos os estados no qual a pesquisa-ação foi realizada.

Essa substância foi proibida pela Autoridade Europeia para Segurança dos Alimentos (EFSA) devido à ausência de evidências suficientes para estabelecer limites de segurança para exposição crônica, mas segue autorizada no Brasil.

Dos oito agrotóxicos identificados e quantificados durante a pesquisa-ação, quatro estão entre os 10 mais comercializados no Brasil em 2021.

O glifosato ocupa a primeira posição, sendo seguido do 2,4-D (2ª posição), da atrazina (5ª posição) e do metolacloro (10° posição).

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Impactos na saúde

Os riscos associados aos agrotóxicos incluem doenças irreversíveis, como câncer e enfermidades causadas por desregulações endócrinas, além da extinção de espécies essenciais para os ciclos socioecológicos, como as abelhas e insetos polinizadores.

A exposição à mistura de agrotóxicos pode potencializar os efeitos tóxicos, tornando a situação ainda mais perigosa.

Embora a quantidade de agrotóxicos nas amostras de água coletadas estivesse abaixo do valor máximo permitido pela legislação brasileira em muitos casos, algumas amostras apresentaram concentrações muito acima dos limites permitidos na União Europeia.

Recomendações

O Dossiê apresenta, também, recomendações elaboradas e aprovadas na Sessão Especial em Defesa dos Territórios do Cerrado, realizada pelo Tribunal Permanente dos Povos.

Entre elas estão a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, restrição do uso de agrotóxicos, fortalecimento da agricultura familiar e agroecologia e a proteção dos territórios tradicionais e indígenas.

A publicação é uma iniciativa da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A pesquisa em campo contou com o apoio de agentes da CPT de Tocantins, Goiás, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul, da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) em Mato Grosso e da Agência 10envolvimento, na Bahia.

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