'Faturamento paga ego; caixa paga contas': contador alerta para erro comum no agro
Reforma tributária exigirá gestão mais estratégica e pode acelerar mudança de cultura nas propriedades rurais, diz especialista ouvido no novo episódio do podcast.
A gestão financeira das propriedades rurais deixou de ser apenas uma questão de cumprir obrigações fiscais e passou a ser decisiva para garantir competitividade e acesso ao crédito. Em um cenário de reforma tributária e maior pressão sobre os custos, produtores que acompanham apenas o faturamento correm o risco de tomar decisões equivocadas. O alerta é do contador e especialista em planejamento tributário Claudinei Costa, convidado do novo episódio do podcast Agro de Primeira MT.
Durante a entrevista, o especialista defendeu que a contabilidade precisa assumir um papel estratégico dentro das fazendas, deixando de ser vista apenas como responsável pelo pagamento de impostos e entrega de declarações. Segundo ele, interpretar corretamente os números permite identificar gargalos, antecipar cenários e aumentar a rentabilidade do negócio.
“O faturamento, ele paga o ego, tá? O caixa é que paga conta. Então a gente tem que ter isso muito claro realmente. Nem sempre o maior faturamento é o que gera o melhor resultado. Então a gente precisa olhar para esses números realmente de forma a entender o quanto aquilo de faturamento representa no meu resultado”, afirmou durante o episódio.
Veja o episódio completo:
Para Claudinei, uma das principais ferramentas que ainda é subutilizada pelos produtores é o fluxo de caixa. Ele explica que o documento não deve servir apenas para atender ao Fisco ou organizar o Imposto de Renda, mas principalmente para orientar decisões futuras.
“Acho que o básico para o produtor rural acompanhar, e é algo que vai mudar realmente a visão dele sobre o negócio, é o fluxo de caixa. A gente não pode preparar um fluxo de caixa e só entregar para o fisco. Aquilo ali é a movimentação efetiva da fazenda. Ali são demonstrados os custos, endividamento, custo financeiro e tudo que influencia naquele resultado”, destacou.
Reforma tributária exige mudança de cultura
Outro tema abordado no episódio foi a reforma tributária e seus reflexos para o agronegócio. Na avaliação do especialista, o maior impacto das novas regras não será, necessariamente, a criação de novos tributos, mas a necessidade de profissionalizar a gestão das propriedades.
Segundo Claudinei, contratos, compras de insumos, investimentos e negociações para a safra de 2027 já precisam considerar o novo modelo tributário, tornando indispensável um planejamento financeiro mais detalhado.
“O principal impacto da reforma tributária não é a mudança de tributos. É uma mudança cultural realmente que vai ser necessária para esse produtor a partir dessa implementação. Muda-se o formato de fazer negócios, de comprar insumos, de comprar maquinário e o produtor precisa estar preparado”, explicou.
Ao longo da conversa, Claudinei defende que a contabilidade deve atuar integrada às áreas técnica, jurídica e administrativa, oferecendo informações que auxiliem o produtor a tomar decisões mais assertivas diante de um mercado cada vez mais complexo.
Para ele, quem investir em gestão e planejamento terá mais condições de enfrentar períodos de crise, acessar melhores linhas de crédito e aproveitar oportunidades de crescimento.
O episódio completo do Agro de Primeira MT está disponível no YouTube e nas principais plataformas de áudio.
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