Feijão de MT avança com foco na exportação e demanda asiática
Produtores apostam em ciclo curto e mercado externo, com destaque para Ásia e ajuste às janelas da safrinha em Mato Grosso.
A produção de feijão em Mato Grosso tem ganhado novo impulso, com produtores apostando em variedades voltadas ao mercado externo, especialmente para atender a demanda de países asiáticos. A estratégia combina ciclo curto, ajuste ao calendário agrícola e preços internacionais mais atrativos.
No campo, o direcionamento para exportação já é realidade em algumas propriedades, como é o caso do produtor de grãos Felipe Taffarel, que já está com mais de 1700 hectares de feijão mungo verde todo comercializado para o mercado internacional.

“Aqui 100% exportação para o mercado asiático. O que a gente produz é 100% exportação. O feijão tem muita demanda da Índia e também na própria China”, afirma o produtor.
O movimento ocorre em um cenário em que Mato Grosso já ocupa posição de destaque nacional. O estado é o quarto maior produtor de feijão do Brasil, atrás apenas de Paraná, Minas Gerais e Goiás. Ao todo, são cerca de 156 mil hectares cultivados, com variedades como carioca, caupi e preto.
Ciclo curto e colheita mecanizada
Uma das apostas recentes é o feijão mungo verde, que tem atraído produtores pela flexibilidade no manejo. Segundo Leandro Lordéa, a escolha pela cultura foi estratégica diante das condições climáticas e de mercado.
“Basicamente, por causa desse feijão, o mungo verde, ele tem um ciclo curto e a chuva no início não estava tão boa, então a gente optou por ele estar num preço internacional razoável. O ciclo dele a gente consegue ajustar agora para a safrinha”, explica.
Além de permitir a colheita mecanizada e apresentar ciclo de maturação curto, os produtores optam por esse tipo de feijão pela possibilidade de encaixar o cultivo dentro da janela agrícola também pesa na decisão. “A gente teve um ajuste nos talhões e ele cabe bem nesse momento da exportação”, completa o produtor.

Com ciclo que varia entre 75 e 95 dias, o feijão permite até três safras ao ano em Mato Grosso, o que amplia o potencial produtivo e facilita a adaptação às condições climáticas. A terceira safra, por exemplo, ocorre entre maio e julho, geralmente em áreas irrigadas.
Apesar das vantagens, os desafios seguem no campo, principalmente relacionados ao clima durante a colheita. “A questão de teto produtivo está dentro do esperado, mas por ser plantado na meta das chuvas, ele tem essa questão de pegar alguns dias que complicam por causa da colheita com chuva”, aponta Lordéa.
Mesmo com atrasos pontuais, a expectativa é positiva. “A colheita está um pouco atrasada? Está, mas se Deus quiser, com o tempo limpo, a gente consegue tirar da roça o nosso feijão”, completou o produtor.
Com a combinação de demanda internacional aquecida, adaptação das lavouras e diversificação de culturas, o feijão produzido em Mato Grosso aparece como uma alternativa de renda para os produtores do estado.
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