Fertilizantes: produtores devem evitar compras antecipadas agora

A Aprosoja Brasil alerta que uma corrida por compras de fertilizantes pode estimular movimentos oportunistas e pressionar ainda mais os preços.

A guerra entre Estados Unidos e Irã gera incerteza no mercado de fertilizantes agrícolas. Grande parte do adubo usado em nossas lavouras vem do Oriente Médio. De olho na preocupação do produtor com uma possível alta do preço ou escassez do produto, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) fez uma análise da situação e alerta:

“Não é o momento de antecipar compras de fertilizantes sem necessidade técnica ou financeira. A decisão deve ser racional, baseada em viabilidade, planejamento e análise de margem e não em pânico de mercado. Antecipar apenas quando fizer sentido para a realidade de cada propriedade é a melhor forma de proteger o negócio. Decisão por medo custa caro. Decisão técnica protege o negócio”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon.

Fertilizantes importados do Oriente Médio (Foto: Aprosoja Brasil)
Fertilizantes importados do Oriente Médio (Foto: Aprosoja Brasil)

A recomendação vale principalmente para produtores que não precisam travar custos neste momento por razões operacionais ou financeiras.

A Aprosoja alerta que uma corrida por compras pode estimular movimentos oportunistas e pressionar ainda mais os preços.

A cautela é necessária porque os preços ainda não refletem uma ruptura forte de oferta como ocorreu em conflitos anteriores. Naquelas situações, houve interrupção direta no fornecimento de insumos e forte alta nos custos.

A entidade avalia que a demanda global por fertilizantes está moderada, o que reduz a pressão sobre os preços internacionais. Além disso, o câmbio tem funcionado como amortecedor. Em crises anteriores, a alta do dólar ampliou o impacto nos custos dos insumos.

A duração e a intensidade do conflito ainda são incertas, o que mantém o mercado imprevisível. Nesse cenário, os preços podem tanto subir quanto recuar.

Segundo a Aprosoja Brasil, antecipar compras não é recomendável quando a decisão é motivada apenas por medo ou pressão comercial. A entidade também orienta evitar a antecipação quando o produtor ainda não definiu a área de plantio ou o plano nutricional da lavoura.

A recomendação vale ainda quando a compra compromete o fluxo de caixa, aumenta a dependência de crédito ou quando não há risco imediato de falta no transporte ou entrega.

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