Fungo de queimadas do Pantanal fortalece produção e desafia estiagem
Pesquisa em Aquidauana testa fungo Trichoderma do Pantanal para aumentar produtividade, reduzir estresse hídrico e fortalecer lavouras e pastagens.
Em Aquidauana, pesquisadores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) desenvolvem estudos com o Trichoderma, um fungo usado na agricultura, isolado a partir de áreas do Pantanal.
O objetivo é criar um bioinsumo capaz de melhorar o solo, fortalecer pastagens e aumentar a produtividade de culturas como soja, feijão, uva e eucalipto.

O estudo e os testes de campo com o fungo do Pantanal foram mostrados em reportagem especial do programa +Agro MS da Tv Morena, que acompanhou o trabalho dos pesquisadores em laboratório e nas áreas experimentais.
A pesquisa busca unir produção e sustentabilidade, com foco nas condições climáticas e de solo de Mato Grosso do Sul.
Pesquisa traz técnica para o cenário pantaneiro
O engenheiro agrônomo e pesquisador Tiago Calves Nunes explica que o diferencial está na origem do microrganismo.
“O fungo já é conhecido na agricultura. Mas aqui nós trabalhamos com isolados do Pantanal, adaptados às nossas condições.”
Segundo ele, o trabalho consiste em coletar o solo, isolar o fungo em laboratório e validar sua eficiência antes de levar ao produtor.
Origem no Pantanal
A escolha do Pantanal ocorreu após as queimadas de 2019. A hipótese era que o solo pudesse abrigar microrganismos resistentes a altas temperaturas.
As amostras coletadas deram origem às cepas (linhagens do fungo) hoje testadas.

O projeto está em fase de validação com soja, milho, videiras e florestais.
Como o fungo Trichoderma é preparado
No laboratório, o solo coletado passa por diluições sucessivas (redução da concentração) para evitar contaminações. O material é colocado em meio BDA (base nutritiva para fungos) e mantido em ambiente controlado.
Após o crescimento inicial, ocorre a “repicagem” (multiplicação do fungo isolado). O objetivo é ampliar a quantidade do micro-organismo para posterior aplicação.

Depois da incubação, é feita a contagem de esporos (células reprodutivas do fungo). Essa etapa define a concentração correta para uso no campo.
Trichoderma contra estresse hídrico na soja
Na casa de vegetação, os testes avaliam o efeito do Trichoderma em situações de déficit hídrico (falta de água).
A técnica em agropecuária Victória Viédes explica que as plantas passam por simulações de veranicos, ficando até 15 dias sem irrigação.

Em doses adequadas, o bioinsumo contribui para maior desenvolvimento radicular (crescimento das raízes) e melhor absorção de nutrientes. Plantas tratadas apresentam menor dano foliar e maior resistência.
Sem aplicação, os danos são visíveis, as folhas são menores, raízes menos desenvolvidas e redução da fotossíntese (produção de energia pela planta).
Resultados em eucalipto e áreas comerciais
Em áreas experimentais, o Trichoderma também é testado em eucalipto. Os pesquisadores avaliam diâmetro, altura e rusticidade (resistência da planta).
Segundo os técnicos, o maior ganho tem sido na fase inicial do plantio, quando a muda é transferida da estufa para o campo. O Trichoderma auxilia no “pegamento” e no desenvolvimento inicial.
A pesquisa busca desenvolver um protocolo adaptado às condições de solo arenoso e clima quente do Estado.
Pesquisa sai do laboratório e chega ao produtor
O bioinsumo já está em fase de validação com produtores. Na região de Piraputanga, um vinhedo testou o Trichoderma em parreirais da variedade Marselan.

O objetivo foi recuperar plantas afetadas por fungos e fortalecer o desenvolvimento vegetativo.
O viticultor Gilmar França relatou melhora na estrutura da planta e na qualidade da uva após a aplicação.
Trichoderma nas pastagens
Nas pastagens, o Trichoderma atua diretamente no solo, estimulando raízes e auxiliando no controle de doenças.
O médico veterinário Aracy Travassos destaca que o objetivo é acelerar o estabelecimento da forrageira (capim para alimentação animal) e reduzir o tempo até a entrada do gado na área.

A expectativa é antecipar em até 10 dias o uso do pasto reformado, aumentando a eficiência produtiva.
Pesquisas no Brasil
A pesquisa com o fungo do Pantanal ocorre em um cenário mais amplo de valorização da biodiversidade brasileira.
Recentemente, pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental também identificaram uma nova espécie do gênero Trichoderma na Amazônia, com potencial para controle biológico e produção de compostos antimicrobianos.
As iniciativas mostram o interesse científico em microrganismos nativos como base para novos bioinsumos.
Assista a reportagem aqui: Parte 1 / Parte 2
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