Genética em busca da melhor carne do mundo no Agro de Primeira

Médica veterinária especialista em reprodução e genética bovina, Eloisa El Hage, é a entrevistada da semana.

O Brasil é o maior produtor e país que mais exporta carne vermelha para outras nações. Agora, o próximo passo deve ser a busca por produzir a melhor carne do mundo. Quem traça o objetivo é a médica veterinária e empresária do ramo de melhoramento da genética na pecuária bovina, Eloisa El Hage, entrevistada da semana do podcast Agro de Primeira MT.

“Baseada no zebu, com outras alternativas, mas nós podemos produzir a melhor carne do mundo. É assim que eu vejo o pecuarista do nosso futuro”, afirma.

Para ela, o objetivo passa, necessariamente, pelo melhoramento da genética do rebanho.

“Melhoramento genético é insumo importantíssimo para desenvolvimento da pecuária. Tanto na produção quanto na produtividade. O Brasil tem mais de 90% do rebanho com genética do zebu, do nelore. Nos últimos 20 anos, a raça nelore tem um desenvolvimento espetacular, pautado nos programas de melhoramento genético”, disse.

Eloisa completa dizendo que se a pessoa souber escolher o sêmen de um touro comprovadamente de genética superior, em uma geração, já na primeira bezerrada nascida, a melhoria já é evidente.

A empresária também afirma que o investimento em genética corresponde a menos de 5% de todo o custo de uma propriedade rural.

O podcast Agro de Primeira já falou sobre um programa de melhoramento genético da raça zebu quando entrevistou o também veterinário Naur Barbosa sobre a Confraria da Raça Nelore, um grupo de pecuaristas que busca a “gourmetização” da carne zebuína. Veja aqui.

Eloisa El Hage gosta de desafios. Quando chegou como médica veterinária na cidade de Barra do Bugres, era a única mulher profissional da área. Só era chamada para atender pequenos animais. Mas não se desestimulou. A distância entre o sonho de trabalhar com reprodução bovina e a realidade nas fazendas da região levou quatro anos.

Nelore expoagro 2024
Nelore pode ter melhor carne do mundo com aprimoramento genético, segundo Eloisa El Hage.

“Fui mostrando minha vontade e minha capacidade técnica, abrindo portas para chegar até lá. Foi fácil? Não. Tem lugares que ainda não tem banheiro, imagine masculino e feminino. Você ouve algumas coisas, você tem de estar fortalecida. Tem de saber dar resposta ou saber silenciar sobre a bobagem que a pessoa está falando. O Agro é ambiente predominantemente masculino, mas temos o direito e a capacidade de estar ali”, ressalta.

Para ela, homem e mulher são complementares nas atividades. A mulher traz o que Eloisa chama de uma “visão 360 graus” de tudo. Ela consegue acrescentar ao cenário, o olhar humanizado, “abrindo oportunidades de acessar os corações”.

A mulher é detalhista e cuida mais das pessoas.

“Esse detalhe faz toda a diferença onde quer que a mulher esteja. E hoje o mundo precisa mais de um cuidado, de um amor, de zelo, de olhar piedoso e nós somos geradoras desse cuidado. É a mãe que cuida da criança, isso é natural. Lógico que cada ambiente a gente tem uma postura, mas a gente tem essa natureza que agrega. É o momento da mulher, ela está sendo demandada, precisamos estar junto com os homens, mas a mulher precisa ficar mais em mais lugares”, afirma.

Genética sim, mas com gestão

Mas não basta apenas o lado humano. Eloisa defende a gestão técnica como forma de fazer a fazenda prosperar. Hoje, mãe de dois filhos, cuida dos negócios ao lado do marido tanto na fazenda de gado quanto no escritório de serviços de melhoria genética em Cuiabá.

Ela cita o caso de um cliente que queria passar a produzir angus. Mas ele era de uma região onde os compradores só queriam nelore.

“Esse direcionamento, não só da genética, mas dentro do seu sistema de produção, o seu mercado, da sua carteira de cliente, ele precisa ser direcionado”, diz.

Adriane Steinmetz e Eloisa El Hage no estúdio do podcast Agro de Primeira MT.
Adriane Steinmetz e Eloisa El Hage no estúdio do podcast Agro de Primeira MT.

A solução foi inseminar um terço das vacas com sêmen de angus e manter o restante nelore para sentir o mercado.

“A gestão é importantíssima e às vezes quando vc fala em gestão, a pessoa dá um passo atrás. São dados coletados no campo, verdadeiros, alimentando uma planilha ou um caderno, mesmo, mas sendo, ali, uma planilha verdadeira com dados concretos e reais pra te dar essa clareza do teu negócio”, conclui.

O Agro de Primeira MT é postado no YouTube e no Spotify todas as quintas-feiras. Não deixe de se inscrever e ativar as notificações para receber os avisos não só de novos episódios, mas também de cortes dos principais momentos das entrevistas, inclusive, desta, sobre melhoramento da genética bovina com Eloisa El Hage.



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