Guavira ganha espaço em projetos que unem conservação e renda

Projetos resgatam a guavira e unem preservação, turismo e geração de renda.

Conhecida como a “rainha do Cerrado”, a guavira voltou a ganhar espaço em Mato Grosso do Sul por meio de iniciativas que unem conservação ambiental, produção de mudas e geração de renda. Na Serra da Bodoquena, projetos locais trabalham para reintroduzir a fruta nativa no campo, após ela perder espaço para lavouras e pastagens ao longo dos anos.

A iniciativa foi mostrada no programa +Agro, da TV Morena, na última sexta-feira, 16, em reportagem de Endrio Francescon e Chico Gomes.

Uma das referências nesse trabalho é Elida Martins Aivi, que atua com diferentes espécies do Cerrado, com atenção especial à fruta. Na Chácara Boa Vida, o processo começa com a despolpa do fruto e a lavagem das sementes, etapa essencial para a produção das mudas.

Guavira sendo processada
Processo de preparação de sementes da guavira. (Foto: Chico Gomes/+Agro)

As sementes são plantadas em recipientes com mistura de terra, areia e compostagem. Normalmente, duas sementes são colocadas na terra, como forma de garantir a germinação caso uma delas não se desenvolva. 

A guavira possui sementes recalcitrantes, que não toleram secagem, o que limita o plantio a uma vez por ano. Elas resistem por até 15 dias, desde que a água seja trocada com frequência para evitar a fermentação.

No Cerrado de Bonito, esse trabalho acontece em viveiros, onde a guavira passa a se transformar também em renda. A produção anual varia entre 5 mil e 10 mil mudas, e cada nova germinação é mais um passo para a continuidade da espécie no território.

Guavira sumindo dos campos

Elida observa que áreas antes ocupadas por guavirais hoje deram lugar a lavouras. Para ela, o desafio não é a produção agrícola, mas a eliminação de espécies nativas. Segundo a produtora, é possível conciliar produção e conservação, adotando modelos que incluam a guavira no campo, como sistemas de “colha e pague”, capazes de gerar renda e preservar a planta, desde que haja manejo adequado.

No Recanto Ecológico da Prata, a guavira também é vista como ferramenta de valorização ambiental e cultural. A bióloga Luiza Bressan explica que o local trabalha com a preservação da natureza e dos traços culturais das comunidades da região, e a introdução do guaviral como atrativo turístico foi uma forma de fortalecer a iniciativa.

Mudas de guavira em viveiro. (Foto: Chico Gomes/+Agro)
Mudas de guavira em viveiro. (Foto: Chico Gomes/+Agro)

O viveiro do espaço produz mudas destinadas a projetos de restauração florestal e acompanha as plantas até o momento do plantio. A alta taxa de germinação é favorecida pelo uso de areia no substrato, que garante boa drenagem. 

Antes de ir para o campo, as mudas passam por um processo de adaptação gradual ao ambiente, essencial para aumentar a sobrevivência na natureza.

De acordo com a turismóloga Fernanda Trevisan, o cultivo da guavira na propriedade ocorre em sistema agroflorestal, no qual diferentes espécies compartilham o mesmo espaço e se beneficiam entre si. O manejo é sustentável e orgânico, sem uso de defensivos agrícolas ou adubação química. No plantio, a muda deve ficar rente ao solo, já que a guavira não tolera excesso de água.

Plantio de mudas de guavira.
Plantio das mudas de guavira. (Foto: Chico Gomes/+Agro)

Para o auxiliar de turismo Edson Rocha Cardoso, a guavira faz parte da história local. Ele relata que o uso da fruta, seja na produção de polpas ou bebidas artesanais, atravessa gerações e que aprendeu “de pai para filho”. 

Com a redução das áreas naturais, hoje concentradas principalmente em RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), a valorização da guavira se torna fundamental para garantir que a espécie continue presente no Cerrado e na memória das próximas gerações.

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