Imea prevê impactos na produção agrícola com ampliação de terras indígenas em MT

A ampliação de terras indígenas pelo governo federal são em áreas dos municípios de Brasnorte, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste-MT, Diamantino, Luciara e São Félix do Araguaia.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) desenvolveu um estudo no qual estima impactos negativos imediatos na economia agrícola e pecuária dos municípios de Brasnorte, Campos de Júlio, Nova Lacerda, Conquista D’Oeste-MT, Diamantino, Luciara e São Félix do Araguaia, onde foram homologadas a ampliação de novas Terras Indígenas (TI) pelo governo federal.

Foto Xingu
Estudo aponta queda na produtividade agropecuária com novas demarcações indígenas. – Foto: Rogério Assis

Impactos

O levantamento estima que as áreas hoje com produção ativa e que passam a integrar territórios indígenas, representam R$ 170,5 milhões por ano em Valor Bruto da Produção (VBP) e esse é o total que deixaria de ser movimentado caso toda atividade agropecuária seja descontinuada dentro dos novos limites.

Na agricultura, seriam 93,24 mil toneladas de grãos a menos por ano — 28,96 mil toneladas de soja e 64,28 mil toneladas de milho da segunda safra. Na pecuária, um rebanho estimado em 50,75 mil cabeças deixaria de gerar o abate anual de 17,27 mil animais.

A medida também afeta o mercado de trabalho, segundo o estudo, resultando na perda de 498 empregos formais diretos, indiretos e induzidos hoje sustentados pela atividade agropecuária nessas áreas. Além disso, a arrecadação do Fethab teria uma queda de R$ 2,89 milhões por ano, sendo R$ 1,36 milhão referentes à soja, R$ 596 mil ao milho e R$ 935 mil à pecuária.

image 19

Novas áreas

As áreas homologadas incluem a Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, que teve sua extensão ampliada de 44,45 mil para 250,53 mil hectares. Também foi homologada a Terra Indígena Uirapuru, distribuída entre Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste, com 21,66 mil hectares.

A Terra Indígena Estação Parecis, em Diamantino, soma 2,17 mil hectares. Por fim, a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, localizada entre Luciara e São Félix do Araguaia, totaliza 15,11 mil hectares.

“A consolidação desses territórios, portanto, não apenas altera a configuração fundiária local, mas também impõe a necessidade de revisões nos planejamentos municipais e estaduais, especialmente no que diz respeito ao ordenamento territorial, às cadeias produtivas e ao acompanhamento dos impactos socioeconômicos decorrentes dessas homologações”, conclui o estudo.

O decreto

Com a assinatura presidencial, os três territórios passam a ter seus limites oficialmente reconhecidos, permitindo o registro em cartório e na Secretaria de Patrimônio da União e reforçando a posse permanente dos povos Paresí, Parecis e Irantxe-Manoki.

Após o reconhecimento dos territórios indígenas por meio dos decretos, as áreas agora passarão pelo processo de registro e titulação, onde deverão ser registradas no Cartório de Registro de Imóveis e na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), consolidando a proteção jurídica e a inalienabilidade da terra.

Aqui em Mato Grosso,o governador Mauro Mendes entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos do decreto. Na ação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) alegou que o ato do presidente viola a Lei 14.701/2023 (que estabelece o marco temporal).

Leia mais

  1. Mendes aciona Justiça para barrar decreto de Lula que amplia terras indígenas em MT

  2. Em pleno feriado, comitiva de MT vai ao STF para debater demarcações de terras indígenas

Leia também em Agro!

  1. Grande nuvem de fumaça durante Incêndio no Pantanal.

    Prevenir incêndio custa nove vezes menos que recuperar danos

    Especialista em combate a incêndios florestais fala sobre recursos do Plano Safra...

    Alex Mendes
    Alex Mendes
  2. Programa de formação para colheita de eucalipto

    Programa de Formação impulsiona colheita de eucalipto em MS

    Programa de Formação forma operadores mantenedores e fortalece o setor...

  3. fungo do pantanal - trichoderma

    Fungo de queimadas do Pantanal fortalece produção e desafia estiagem

    Pesquisa da UEMS em Aquidauana testa fungo Trichoderma do Pantanal para aumentar...

  4. Vista aérea de vitivinicultura em Aquidauana com morro do Paxixi ao fundo.

    Vitivinicultura no Pantanal teve segredo escondido até dos filhos

    Pesquisas sobre implantação da primeira vitivinicultura de Mato Grosso do Sul levaram...

    Alex Mendes
    Alex Mendes
  5. Empaer distribui 25 mil alevinos a pequenos produtores de Mato Grosso

    A Empaer iniciou a distribuição de alevinos para pequenos produtores do Araguaia,...

  6. Prêmio Brasil Artesanal 2026

    Prêmio Brasil Artesanal 2026 está com inscrições abertas

    Prêmio Brasil Artesanal reconhece pequenos e médios produtores do Brasil...