Impulsionada pelo agro, indústria de MT cresce mais que o dobro da média do país
Produção industrial avançou 3,5% entre janeiro e maio, mais que o dobro da média nacional, impulsionada pelo agronegócio, construção civil e biocombustíveis.
Enquanto o agronegócio segue batendo recordes de produção em Mato Grosso, outro setor também colhe os resultados da força do campo. Impulsionada pela demanda por insumos, biocombustíveis, alimentos e materiais para obras de infraestrutura, a indústria mato-grossense registrou crescimento de 3,5% entre janeiro e maio de 2026, desempenho mais que o dobro da média nacional, de 1,4%, e suficiente para colocar o estado entre os cinco maiores crescimentos industriais do país.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt).

No acumulado do ano, Mato Grosso ficou atrás apenas de Espírito Santo (21,9%), Pernambuco (14,9%), Rio de Janeiro (7,8%) e Mato Grosso do Sul (5,3%).
Para o coordenador do Observatório da Indústria da Fiemt, Leonardo Zardo, o desempenho vai muito além dos números da produção.
“Quando a gente fala em crescimento da indústria, está falando também em desenvolvimento socioeconômico. Isso representa geração de impostos, pagamento de salários e um efeito em cadeia para toda a economia mato-grossense.”

Construção civil lidera avanço
Entre os segmentos industriais, o maior destaque foi o de produtos minerais não metálicos, que avançou 23,9% no período.
O grupo reúne produtos como cimento, concreto, asfalto, argamassa e outros materiais utilizados tanto na construção civil quanto em grandes obras de infraestrutura.
O reflexo pode ser visto nas empresas do setor. Em uma usina de concreto em Cuiabá, a produção opera no limite da capacidade. Diariamente, cerca de 40 caminhões deixam a unidade para abastecer obras em diferentes regiões da capital.
Segundo o empresário Jorge Pires, a demanda vem crescendo impulsionada por diferentes frentes.
“Hoje atendemos obras de infraestrutura, pavimentação, empreendimentos imobiliários e construções residenciais. O aumento dos pedidos acompanha o momento de expansão vivido pelo estado.”
Crescimento gera empregos
A expansão também chega ao mercado de trabalho. A motorista Elzi Belém Aguiar conquistou uma vaga para conduzir caminhão betoneira, uma função que exige qualificação e experiência.
“É um trabalho que exige muita capacidade. Tem que saber dosar o concreto, dirigir caminhão pesado e ter muito cuidado, principalmente no trânsito da cidade”, relata.
Agro continua puxando a produção
Embora a construção civil tenha liderado o crescimento, outros segmentos ligados diretamente ao agronegócio também registraram desempenho positivo.
A produção de refino e biocombustíveis cresceu 10% entre janeiro e maio, impulsionada pela expansão das usinas de etanol de milho e pela maior demanda por combustíveis renováveis.
Já a fabricação de alimentos avançou 2,6%, refletindo o fortalecimento da cadeia agroindustrial, responsável por transformar a produção do campo em alimentos processados destinados ao mercado interno e às exportações.
Na avaliação do Observatório da Indústria da Fiemt, a expectativa é que esse ritmo seja mantido até o fim do ano, especialmente no segmento de biocombustíveis.
“A perspectiva é de continuidade desse crescimento, principalmente na fabricação de biocombustíveis. A ampliação da mistura de etanol na gasolina deve estimular ainda mais a produção em Mato Grosso”, afirma Leonardo Zardo.
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