Indígenas da etnia Xavante recebem sementes para produzir em aldeias de MT
Ações integradas entre Funai, Empaer, UFMT, Conab e prefeituras fortalecem a segurança alimentar e a autonomia das comunidades indígenas.
Cerca de 320 aldeias da etnia Xavante de Barra do Garças, Campinápolis e Poxoréu foram beneficiadas com a doação de 40 toneladas de sementes para produção agrícola na própria Terra Indígena (TI). As sementes são de amendoim, arroz, milho e feijão e são destinadas à subsistência dos povos originários. Estima-se que 20 mil indígenas sejam beneficiados.

As sementes são doadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o projeto é desenvolvido em parceria com instituições como Fundação Nacional do Índio (Funai), Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Prefeituras Municipais.
A iniciativa tem o objetivo de garantir a segurança alimentar nas aldeias e proporcionar a independência dos grupos que poderão plantar, colher e consumir seu próprio alimento. “Percebemos que, mesmo com assistência e entrega de cestas básicas, a dificuldade alimentar persistia. Então decidimos plantar dentro da área indígena”, afirmou secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Poxoréu, Pabulo Diego de Lara Ferreira.
As primeiras doações ocorreram em 2024 e já surtiram efeitos nas comunidades. “No ano passado conseguimos colher quatro toneladas de arroz, que foi compartilhado entre os povos indígenas do município”, relatou o secretário. Nesta semana, o município recebeu quatro toneladas de sementes, principalmente de arroz.
Plantios com sementes crioulas
Mato Grosso não está entre os grandes produtores de arroz. O último levantamento da safra 25/26 feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o Estado reduziu em 23% a área destinada ao grão, totalizando 111,6 mil hectares, e deve ter uma produção 25% menor que a safra passada, atingindo 401 mil toneladas. Os números são bem inferiores ao Rio Grande do Sul, que lidera a produção do grão no Brasil com 7 milhões de toneladas estimadas para a safra 25/26.
O projeto também envolve orientações em todas as etapas: plantio, cultivo, colheita, beneficiamento e distribuição nas aldeias, porque além da dificuldade de cultivar uma cultura que não é difundida no Estado, há as particularidades dos plantios em áreas protegidas.
“A legislação define que em Terras Indígenas devem ser cultivadas sementes crioulas, ou seja, sem tratamento químico ou transgênicos. Por isso, incentivamos o uso de matéria orgânica, não trabalhamos com lavoura em grande escala e orientamos em todas as etapas do cultivo”, explicou a gestora da Empaer na regional do Portal do Araguaia e Médio-Araguaia, Carla Sales Rodrigues Simões.

Segundo ela, a entrega ocorre apenas em áreas já preparadas para o plantio, aproveitando o período das chuvas. O plantio já começa agora em dezembro e cada comunidade decide como organizar sua produção.
Com a orientação adequada, o projeto deve expandir para além do território indígena. “A ideia é que eles não dependam mais apenas de cesta básica. Queremos que sejam autossuficientes. O excedente da produção poderá, inclusive, ser comercializado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em que o alimento é destinado para escolas e outros locais fora das comunidades”, destaca Carla.
Semente de dignidade
Para o morador da TI São Marcos, em Barra do Garças, Clesio Ru’ratsiwe Tsowa’o, durante muito tempo a comunidade viveu à margem das políticas públicas, enfrentando fome, desnutrição infantil e dependência de cestas básicas. “Somos eleitores, mas ninguém lembrava da gente”, relatou o indígena.

Na aldeia Nossa Senhora Auxiliadora, onde mora, os resultados já começam a aparecer. Clésio lembra que, antes das parcerias, havia crianças e idosos desnutridos e problemas frequentes de saúde. “Hoje estamos melhores. Plantamos, colhemos e vamos comer dentro da aldeia, cada família com seu alimento”, comemorou.
Para ele, a união entre as instituições representa mais do que apoio técnico. “A gente acredita que a fome vai acabar. Produzindo nosso próprio alimento, a gente fortalece a saúde, a escola e toda a comunidade”, destacou Clesio.
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