Colmeias alugadas por R$ 1 mil impulsionam produção de café em MT
O uso de abelhas para polinização tem aumentado a produtividade das lavouras de café em até 30% em Mato Grosso
Antes indesejáveis, insetos se tornaram muito bem-vindos nas lavouras de café, em um projeto experimental testado em Mato Grosso, que já mostrou ser eficiente, de baixo custo e sustentável. As abelhas são colocadas no campo para a polinização. Em Mato Grosso, o custo médio do aluguel das colmeias é de R$ 1 mil por hectare.

O custo é considerado baixo, comparado ao valor do uso de fertilizantes que tem um custo médio de R$ 3 mil por hectare. Além do custo reduzido, o uso de abelhas pode aumentar a produção de café em até 30% em relação aos fertilizantes, cuja produtividade é de 20%.
O uso de abelhas para polinização oferece melhor custo-benefício quando se busca aumento de produtividade com baixa interferência ambiental.

Para os agricultores de café, o retorno financeiro é essencial. O uso de colmeias pode apresentar um bom custo-benefício. O investimento de menos de R$ 1 mil por hectare em polinização pode gerar um aumento de produção equivalente a R$ 3 mil – R$ 5 mil por hectare. Já os fertilizantes, embora necessários, têm um custo elevado e riscos ambientais quando mal utilizados.

O trabalho ainda é realizado de forma experimental e é acompanhado por pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e estudantes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Eles observaram lavouras com produtividade muito abaixo do esperado – cerca de 10 sacas por hectare, sendo que esse número pode ultrapassar a 100 sacas por hectare com a polinização por abelhas.
A principal aliada nesse processo é a abelha Apis mellifera, popularmente conhecida como abelha europeia. Essa espécie realiza a polinização cruzada entre os diferentes clones do café Conilon, o que é essencial para garantir a boa formação dos grãos e elevar a produtividade das lavouras.
O experimento, iniciado com cinco produtores, coleta dados da safra atual para comparar com os resultados da safra 2026, colhida após a polinização induzida. A iniciativa conta com o apoio do biólogo e pesquisador da Empaer, João Bosco Pereira, e do técnico em apicultura Júlio Belinki.
Segundo Belinki, a primeira etapa do experimento está sendo conduzida com a Apis mellifera, mas a partir do próximo ano também será introduzida uma espécie de abelha nativa sem ferrão (ASF), do gênero Melipona. “Essas abelhas são nativas e também excelentes polinizadoras. A ideia é ampliar os agentes e observar os efeitos na produtividade”, destaca.

João Bosco Pereira explica que muitos produtores, como os da região de Tangará da Serra, têm relatado produtividade reduzida em áreas afastadas das APPs (Áreas de Preservação Permanente). “Nesses locais, há menos abrigo e alimento para as abelhas durante a entressafra da floração do café. Isso pode comprometer a presença de polinizadores na lavoura”, observa o biólogo.
Como solução, os pesquisadores orientaram os produtores sobre o uso de reforço com colmeias trazidas temporariamente durante o período de floração. Essa estratégia motivou o experimento que está em curso e deverá gerar os primeiros dados comparativos em 2026.
Atualmente, está sendo realizada a colheita da safra de 2024. Os pés de café que foram previamente marcados estão sendo avaliados. Os dados servirão de base para comparar os efeitos da polinização induzida na próxima colheita.

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Comentários (1)
Eu ten̈ho umas abelhas no forro de minha casa quem quiser a comeia pode vim buscar só q tem que ter isca pra pegar