Maritacas elevam custo da silagem de milho em até 30%, aponta Embrapa
Ataques de maritacas reduzem produtividade do milho.
O ataque de maritacas em lavouras de milho safrinha pode reduzir a produtividade, comprometer a qualidade da silagem e elevar os custos da alimentação animal. Os impactos foram avaliados em um estudo da Embrapa Gado de Leite, que analisou perdas produtivas e econômicas causadas pelas aves em áreas destinadas à produção de silagem para bovinos.
A pesquisa analisou lavouras cultivadas na segunda safra, em Minas Gerais, e comparou plantas com espigas protegidas e não protegidas contra o ataque das maritacas. O resultado mostrou queda de aproximadamente 23% na produtividade da matéria natural do milho utilizado para silagem, além de impactos diretos na qualidade nutricional do alimento.
Segundo os pesquisadores, o prejuízo não se limita à quantidade colhida. O consumo dos grãos pelas aves reduz a presença de amido na silagem, principal fonte de energia para os animais, e aumenta a proporção de fibras. Esse desequilíbrio afeta o valor nutritivo da silagem e exige ajustes na dieta do rebanho.

Nos experimentos, a silagem produzida a partir de plantas atacadas apresentou redução nos teores de proteína bruta e carboidratos não fibrosos (componentes energéticos), além de aumento significativo das fibras (fração menos digestível). Como consequência, houve queda nos níveis de nutrientes digestíveis totais e da energia líquida destinada à produção de leite.
Impactos financeiros
O impacto econômico também foi expressivo. Considerando os custos médios de produção, a silagem oriunda de lavouras atacadas pelas maritacas ficou cerca de 30% mais cara por tonelada, em comparação à silagem produzida com espigas preservadas.
Esse efeito se reflete diretamente na alimentação dos animais. Para manter níveis adequados de produção de leite, foi necessário aumentar a inclusão de ração concentrada na dieta das vacas alimentadas com silagem danificada. Em sistemas simulados, o custo adicional chegou a R$ 3,80 por vaca ao dia, valor que pode representar mais de R$ 34 mil em seis meses em um rebanho de 50 animais.

Além da redução na produtividade e do aumento dos custos, o estudo identificou que o ataque das aves acelera o amadurecimento das plantas, antecipando o processo de senescência (envelhecimento vegetal). Esse fator contribui para a perda de qualidade da forragem no momento da ensilagem.
Para o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Domingos Paciullo, os números ajudam o produtor a tomar decisões mais estratégicas. “Inclusive, ajuda o produtor a decidir, em regiões principalmente que tenham o ataque dessa praga, se ele, de fato, vai efetuar o plantio ou se poderia trocar para uma outra alternativa que fosse mais viável do ponto de vista técnico e, principalmente, econômico”, afirmou.
Redução de impactos na produção
Diante das análises, o estudo aponta que, em regiões com alta incidência de maritacas, alternativas como o uso de outras forrageiras para alimentação do rebanho passam a ser consideradas para reduzir riscos produtivos e financeiros.
Em Mato Grosso do Sul, os ataques de maritacas em lavouras de milho não costumam acontecer, apenas em situações pontuais, segundo a Aprosoja/MS.
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