Moratória da soja: CNA pede fim da suspensão de ações no STF

Processos que tratam da moratória da soja foram paralisados, em 2025, pelo ministro Flávio Dino.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) voltou a criticar a moratória da soja durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu o fim da suspensão das ações judiciais e administrativas que discutem a validade da moratória.

O tema foi analisado no âmbito da ADI 7.774, após decisão do ministro Flávio Dino, que, em 2025, determinou a paralisação de todos os processos relacionados à moratória, inclusive os que tramitam no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A CNA participa da ação como amicus curiae.

Advogada Amanda Flávio representa a CNA.
Advogada Amanda Flávio representa a CNA. (Foto: Reprodução TV Justiça)

Durante a sessão realizada na quinta-feira (20), a advogada Amanda Flávio, representante da entidade, afirmou que a moratória “não tem relação com proteção ambiental”, argumentando que o Código Florestal Brasileiro já estabelece regras rígidas de preservação ambiental que devem ser cumpridas pelos produtores rurais.

Segundo a CNA, o acordo de restrição da soja é um acordo privado, sem caráter de política pública, que interfere diretamente no funcionamento do mercado. A entidade sustenta que a prática gera distorções concorrenciais, ao impor restrições à comercialização da produção agrícola, afetando principalmente pequenos e médios produtores.

Prejuízos

Ainda durante a defesa, foram apresentados dados que apontam prejuízos de R$ 4,01 bilhões aos produtores rurais e aumento de 16% no preço do óleo de soja ao consumidor entre 2018 e 2020, período de vigência do pacto.

Ao final do julgamento, o STF decidiu encaminhar as ações relacionadas ao tema para o núcleo de conciliação da Corte. As partes terão prazo de 90 dias para tentar um acordo.

Histórico da moratória

A discussão sobre a moratória da soja também avançou no Cade em 2025, quando a CNA protocolou representação apontando a prática como potencial infração à ordem econômica. Na ocasião, o órgão acatou o pedido e determinou medida preventiva suspendendo os efeitos da moratória, decisão posteriormente mantida após análise de recursos apresentados por empresas do setor.

O desfecho do caso no STF deve influenciar diretamente o futuro da moratória no Brasil, com impactos relevantes para a produção agrícola, o mercado de grãos e as relações comerciais do agronegócio.

Leia também em Agro!

  1. fruta exótica longan

    Fruta exótica conhecida como “olho de dragão” ganha espaço no Brasil

    Parente da lichia, longan chama atenção pelo sabor doce, aparência diferente e...

  2. Brucelose pode ser transmitida aos seres humanos pelo contato com animais infectados e pelo consumo de alimentos contaminados. - Foto: Reprodução

    Doença transmitida por animais passa a ter notificação obrigatória em MT

    Mato Grosso tornou obrigatória a notificação de casos de brucelose humana em...

  3. Carne produzida em Mato Grosso. - Foto: Imac/assessoria

    'Não encontra amparo na ciência': Acrimat critica bloqueio da União Europeia à carne brasileira

    Diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi critica veto da União Europeia à...

  4. agricultura familiar

    Agricultores familiares de MT podem receber até R$ 3 milhões em projetos; veja quem pode participar

    Edital oferece investimentos de até R$ 3 milhões por projeto para associações...