MT projeta 1,33 milhão de bois confinados, mas pecuarista pisa no freio
Quase metade dos animais deve ser abatida entre setembro e novembro, período de maior concentração da oferta e de incertezas para as exportações à China.
Mato Grosso deve confinar 1,33 milhão de bovinos em 2026, um crescimento de 43,41% em relação às 928,67 mil cabeças confinadas no ano passado. Apesar do avanço expressivo no volume projetado, o pecuarista mato-grossense demonstra maior cautela para colocar os animais no sistema.

Os dados são do 2º levantamento de intenções de confinamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 17 de agosto. Entre os produtores consultados em julho, 56,47% afirmaram que pretendem confinar neste ano.
O percentual representa uma queda em relação ao levantamento realizado em abril, quando 80,85% declaravam intenção de utilizar o sistema. Outros 38,82% disseram que não devem confinar e 4,71% ainda estavam indecisos.
A estimativa de 1,33 milhão de cabeças também representa uma revisão de 7,71% para baixo em relação ao primeiro levantamento de 2026, quando o Imea projetava 1,44 milhão de animais confinados.
Segundo o instituto, a redução das intenções ocorre à medida que o planejamento da atividade se torna mais concreto, com a efetivação das compras de animais e insumos e das estratégias de comercialização.
Quase metade dos bois deve chegar aos frigoríficos em três meses
O principal ponto de atenção para o segundo semestre está na concentração das entregas. De acordo com o levantamento, 80,74% dos animais previstos para confinamento devem ser enviados para abate até o fim do ano.
Dentro desse volume, 48,31% de todas as cabeças projetadas para 2026 devem ser abatidas entre setembro e novembro. A concentração coloca o período como uma janela importante para o equilíbrio entre oferta e demanda de carne bovina em Mato Grosso.
Acompanhe os principais dados do levantamento:
Levantamento de Confinamento
2º Levantamento de 2026 • Mato Grosso
Intenção dos Produtores
Principais Preocupações
Custos & Insumos (vs 2025)
Concentração do Abate
80,74% dos animais serão enviados para abate no 2º semestre, com forte concentração no trimestre:
Top 3 Regiões (Cabeças)
O cenário ganha ainda mais relevância diante das perspectivas para o mercado chinês. A expectativa do Imea é de que o preenchimento da cota chinesa de carne bovina de 2026 reduza a capacidade de absorção daquele mercado entre agosto e meados de outubro.
A tendência, porém, é de retomada das movimentações a partir do fim de outubro, quando frigoríficos e exportadores poderão se preparar para embarques destinados à cota de 2027.
Arroba volátil aumenta preocupação com margem
A cautela dos pecuaristas também está relacionada ao comportamento recente do boi gordo. Depois de atingir R$ 360,01 por arroba em abril, a cotação recuou para R$ 312,94/@ antes de recuperar parte das perdas e chegar a R$ 324,17/@ em julho.
A oscilação aumenta a dificuldade de prever a receita no momento em que os animais adquiridos para confinamento forem entregues aos frigoríficos. Entre os confinamentos avaliados pelo Imea, o custo médio ficou entre R$ 220,50/@ e R$ 235/@.
As propriedades com até 1 mil cabeças apresentaram o menor custo, de R$ 220,50/@. Já os confinamentos entre 3.001 e 5 mil animais registraram o maior valor, de R$ 235/@. Nas estruturas com mais de 5 mil cabeças, o custo médio foi de R$ 223,13/@.
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