MT recebe R$ 2,2 bilhões do BNDES e vira polo nacional do etanol de milho

Valor é o segundo maior volume nacional, atrás apenas de São Paulo, que recebeu R$ 3,2 bilhões.

Mato Grosso se consolidou como um dos principais destinos do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para biocombustíveis no país. Entre 2023 e 2025, o banco aprovou R$ 2,2 bilhões para projetos no estado, o segundo maior volume nacional, atrás apenas de São Paulo, que recebeu R$ 3,2 bilhões. Somente em 2024, os financiamentos alcançaram R$ 1,6 bilhão, o maior valor da série histórica iniciada em 1995.

O montante destinado a Mato Grosso nos últimos três anos supera com folga o período anterior: entre 2019 e 2022, as aprovações somaram apenas R$ 240 milhões. A retomada do apoio federal a partir de 2023 impulsionou investimentos em etanol de milho, trigo e biometano, com impacto direto na expansão industrial do Centro-Oeste.

Mato Grosso lidera produção de etanol de milho | Foto: Envato
Mato Grosso recebe R$ 2,2 bilhões do BNDES e vira polo nacional do etanol de milho. – Foto: Envato

No país, o BNDES liberou R$ 13,3 bilhões para biocombustíveis de 2023 a 2025, crescimento de 204% em relação ao quadriênio anterior. Em 2025, o banco aprovou R$ 6,4 bilhões, superando o recorde de 2010, quando o setor havia recebido R$ 4,8 bilhões.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o caráter estratégico da política. “Ao financiar energia limpa e renovável, o banco fortalece a indústria nacional, reduz emissões e consolida o Brasil como protagonista da transição energética justa e sustentável”, afirmou.

Novas usinas ampliam capacidade

Parte expressiva dos recursos já está se convertendo em plantas industriais no interior mato-grossense. Em Porto Alegre do Norte, a Três Tentos Agroindustrial recebeu R$ 500 milhões para implantar uma usina de etanol a partir de milho e sorgo. A unidade terá capacidade diária de 935 mil litros de etanol, além da produção de 587 toneladas de DDGS , coproduto usado na nutrição animal, e 37 toneladas de óleo de milho. O projeto inclui ainda uma termelétrica a biomassa capaz de gerar 184 mil MWh por ano.

Outro investimento de R$ 500 milhões, com recursos do Fundo Clima, foi destinado à Alvorada Bioenergia, em Canarana. A planta produzirá até 222 mil m³ de etanol por ano, 147 mil toneladas de DDGS e 8 mil toneladas de óleo bruto, utilizando tecnologia alemã inédita no Brasil. O empreendimento deve gerar cerca de 300 empregos e diversificar a economia da região da BR-158, tradicionalmente voltada à pecuária.

A FS, uma das maiores produtoras de etanol do país, também garantiu R$ 500 milhões para ampliar operações em Mato Grosso. A empresa, que já atua em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste, construirá nova unidade em Querência, com foco em etanol de milho, DDG, óleo e bioeletricidade.

Impacto regional

O avanço do etanol de milho reforça a estratégia de agregar valor à produção agrícola local, criar mercado para o excedente de grãos e interiorizar a indústria. Com os novos projetos, Mato Grosso amplia sua posição como plataforma nacional de biocombustíveis, combinando geração de energia renovável, empregos e diversificação econômica.

Para o governo e o setor produtivo, o ciclo de investimentos representa uma mudança estrutural: o estado deixa de ser apenas exportador de matéria-prima e passa a ocupar lugar central na agenda de transição energética do país.

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