Pitaya vira tendência de produção em MS
Clima favorável, tecnologia e demanda aquecida colocam o estado no radar da nova geração de fruticultores.
Pitaya, a fruta do “Dragão” que ganhou espaço no Brasil, vira a grande tendência de sabor para 2026, em virtude de sua coloração, sabor e riquezas nutricionais. Em Mato Grosso do Sul o cultivo da fruta tem avançado desde 2020, motivada pelo clima tropical favorável, alternativa extra de renda para os produtores, além da demanda aquecida.

A Embrapa Cerrado (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), estima hoje uma produção anual brasileira superior a 15 mil toneladas, crescimento que acompanha a atual demanda e os avanços tecnológicos de produção.
Em 2025, a Ceasa/MS (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul) comercializou 84 toneladas de pitaya, um aumento de 300% em relação às 21 toneladas registradas em 2021. Demonstrando uma tendência clara de expansão do consumo, com consolidação da fruta no mercado regional.

Segundo o diretor da Ceasa/ MS, Fernando Begen, a produção local reduz custos de transporte, garante qualidade e fortalece a cadeia produtiva regional, ajudando os produtores que diversificam a produção. No estado, grande parte da pitaya vendida na central vem de Terenos/MS.
“Na Ceasa/MS é cobrado valor entre R$ 9,00 e R$ 12,00 pelo quilo da fruta. A safra principal de pitaya ocorre entre dezembro e março. Na entressafra, a oferta diminui e os preços tendem a subir”, explicou o diretor.
Cenário produtivo em MS
Em Mato Grosso do Sul cultiva-se as pitayas de casca rosa com polpa branca e roxa, o valor recebido pelo produtor varia conforme a qualidade da polpa. No estado, as frutas comercializadas pesam, em média, 500g e a caixa padrão de 4kg é vendida pelo preço de custo entre R$ 24,00 e R$ 32,00.
“Elas são muito parecidas, até externamente. A depender da variedade não conseguimos distinguir a cor da polpa do fruto observado só pela cor da casca. O teor de polpa entre elas também é semelhante”, explicou a engenheira agrônoma e coordenadora do curso de agronomia da UEMS, Adriana de Castro.

De acordo com o engenheiro agrônomo e doutor em Genética e Melhoramento da Embrapa Cerrado, Fábio Gelape Faleiro, o clima tropical no estado favorece o desenvolvimento produtivo da fruta.
“As condições do solo no Mato Grosso do Sul podem ser facilmente trabalhadas para corrigir a acidez, a fertilidade e a biologia. Já existem experiências de sucesso de dezenas de produtores no cultivo de pitaya de alta qualidade no estado”, explicou Faleiro.

Apesar das vantagens, os produtores precisam ficar de olho em pragas e doenças, especialmente em cultivos orgânicos ou agroecológicos. Também é importante verificar o fotoperíodo necessário para a fruta e garantir que a planta seja de origem certificada.
“Por ser uma planta de fácil propagação, muitos pomares foram formados por plantas sem origem definida, que não foram selecionadas quanto a sabor e qualidade de frutos. Desta forma, o consumidor pode ter uma experiência ruim ao adquirir frutos insossos, que não refletem de forma real os frutos”, apontou Adriana de Castro.
Benefícios à saúde
A pitaya tem baixo teor calórico e é rica em fibras, o que auxilia o fluxo intestinal. A fruta de polpa roxa apresenta compostos antioxidantes, que estão relacionados à prevenção do envelhecimento precoce e à saúde cardiovascular.
Devido a esses fatores, a fruta é regularmente utilizada em dietas. Vale destacar que todas as partes da planta podem ser consumidas, não apenas a polpa da fruta, como também as flores e ramos são comestíveis.
“A casca da fruta pode ser utilizada em diversos preparos, ou transformada em farinha, adicionando cor aos pratos. E é bastante apreciada pelos animas”, acrescentou Adriana.

Contexto econômico
As pitayas ganharam espaço no atacado e no varejo, e hoje aparecem com mais frequência nas gôndolas dos supermercados, impulsionadas pelo aumento da produção e da demanda no país. O crescimento também alcança o mercado externo, com expansão das exportações para diversos destinos.
No setor de processamento, a variedade de polpa colorida se destaca pela maior versatilidade e é a preferida pela indústria para a produção de polpa congelada, sorvetes, gelados e geleias.

“Como a safra da pitaya aqui no estado se concentra de dezembro a abril, o processamento é uma ótima estratégia para agregar valor ao produto e, também, disponibilizar acesso à pitaya em outras épocas do ano, devido às sazonalidades”, explicou Adriana de Castro.
A expectativa do setor é ampliar a oferta de frutas de alta qualidade ao longo do ano, apoiada por novas tecnologias de produção que ampliem a janela de produção e evitem oscilações bruscas nos preços pagos ao produtor.
Tendência de sabor para 2026
A pitaya consolida seu avanço no mercado sul-mato-grossense, impulsionada pelo apelo visual, pelo valor nutricional e pela busca crescente por alimentos mais saudáveis.
O interesse pela fruta acompanha seu potencial culinário, já explorado em diversas receitas — destaque presente no livro gratuito “Pitaya: 200 formas de utilização em receitas doces e salgadas”, da Embrapa Cerrados.

No cenário global, o sabor ganha protagonismo. A pitaya tornou-se tendência internacional especialmente em bebidas refrescantes e confeitaria, com maior procura no verão.
De olho nesse movimento, a Kerry, empresa líder global em sabor e nutrição, aponta a pitaya como um dos novos ícones da inovação alimentar em seu Taste Charts 2026. Estudo que funciona como guia estratégico para a indústria, ajudando empresas a identificar oportunidades, reduzir riscos e transformar tendências em vantagem competitiva.
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