Forrageiras devem ser plantadas em período de chuvas, diz Embrapa

A escolha por espécies adaptadas às características da região é essencial

O plantio de forrageiras deve seguir a janela de chuvas a fim de ter uma boa germinação e o desenvolvimento das sementes. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), orientam que a escolha da planta, os bons manejos no primeiro pastejo e o preparo do solo são etapas essenciais.

Pasto em boas condições
Forrageiras plantadas no período de chuva se desenvolvem melhor. (Foto: Carlos Maurício de Andrade – Embrapa)

A adaptação da forrageira às características da região é determinante tanto para a eficácia inicial quanto para a longevidade da pastagem. A forrageira ideal precisa ser compatível com as condições locais de temperatura média anual, regime de chuvas, fertilidade natural do solo e ocorrência de períodos de seca.

Para a seleção do capim ideal o produtor deve ser observar alguns fatores como:

  • Condições climáticas;
  • Tipo de solo da propriedade;
  • Exigências dos animais;
  • Finalidade da pastagem (pastejo, feno, silagem ou feno em pé);
  • Intensidade de produção desejada.

O zootecnista da Embrapa, Haroldo Pires de Queiroz, indica o aplicativo Pasto Certo da estatal, como ferramenta para essa fase. A plataforma gratuita oferece descrição de forrageiras, comparação entre capins, dimensionamento de piquetes e cálculo da quantidade de sementes. Conheça mais sobre o aplicativo aqui.

Ele afirma que a análise de solo e a definição clara da finalidade do preparo, seja para descompactação, correção química ou nivelamento, tem um papel importante. Antes de qualquer ação é fundamental coletar amostras representativas da área; avaliar pH, níveis de cálcio, magnésio, fósforo, potássio e matéria orgânica; e definir a necessidade de calagem e adubação.

Atenção no plantio

Para a realização do plantio, orienta-se o acompanhamento de dados meteorológicos confiáveis com médias de chuva, como o Boletim Agroclimático Mensal do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e as Normas Climatológicas (1991–2020). 

Vale destacar que para semeio depende da regularidade das precipitações e da capacidade de estabelecimento da forrageira, devendo ser levado em consideração tópicos técnicos como:

  • Profundidade correta de plantio;
  • Quantidade ideal de sementes;
  • Escolha entre plantio em linha ou a lanço;
  • Avaliação da qualidade da semente (legalidade).

Queiroz explica que cada cultivar apresenta exigências específicas, e que o plantio muito profundo pode comprometer a emergência, enquanto profundidades rasas aumentam as perdas por ressecamento.

Além disso, a quantidade de sementes deve respeitar o peso das mesmas e o grau de pureza, para garantir a densidade ideal de plantas. As sementes têm que ser certificadas, com alto valor cultural e procedência confiável.

Primeiro pastejo

O zootecnista afirma que o primeiro pastejo tem papel determinante na uniformidade da pastagem, e se bem executado aumenta a densidade da pastagem, a capacidade de suporte (UA/ha), a resistência ao pisoteio e a habilidade de rebrota.

“Ao proporcionar que as plantas cresçam em ritmo semelhante, esse manejo contribui para cobrir o solo mais rapidamente e reduz a competição entre indivíduos mais fortes e mais fracos”, afirma.

Pastos em boas condições
Forrageiras em boas condições elevão produtividade pecuária. (Foto: Allan Kardec Braga – Embrapa)

O manejo correto evita o acamamento do capim, o que dificulta o consumo pelos animais; remove parte da área foliar, o que permite uma melhor entrada de luz; e estimula o perfilhamento das gemas na base da planta.

Haroldo Queiroz indica algumas publicações para ajudar o produtor nessa fase de planejamento, entre elas: 

Ele ainda recomenda o curso Fazendo Certo: a escolha da forrageira, disponível gratuitamente, na plataforma de capacitações on-line da Embrapa, e-Campo.

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