Poda de topo no pomar surge como nova arma contra o greening
Pesquisa indica que a técnica não deve ser usada de forma isolada nos pomares de citros.
Uma pesquisa desenvolvida pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e pela Embrapa Mandioca e Fruticultura avaliou a poda de topo das árvores como alternativa preventiva no manejo do greening em pomares de citros. Considerada uma técnica simples, porém ousada, a estratégia busca estimular o brotamento nas plantas das bordas do pomar para atrair o psilídeo e concentrar o controle químico nessas áreas, reduzindo a pressão da praga sobre o interior dos talhões.

O trabalho conduzido entre 2020 e 2023, em pomares comerciais de laranja‑doce, em Monte Azul Paulista (SP), consistiu na poda leve apenas da parte superior das árvores localizadas na faixa de borda dos talhões — os primeiros 100 metros a partir da divisa da propriedade. As intervenções ocorreram em intervalos de 30 a 45 dias, com o objetivo de estimular a emissão contínua de novas brotações.
Os resultados mostram que a poda de topo aumentou em até três vezes a emissão de brotações jovens em comparação a plantas sem poda e promoveu redução de até 27% no volume da copa, dependendo da variedade. Como esperado, houve maior concentração do psilídeo nessas brotações, o que reforça o potencial da técnica para direcionar o manejo do vetor e melhorar a eficiência operacional das pulverizações.

No entanto, o estudo indica que a prática exige cautela e avaliação caso a caso, pois os efeitos sobre a doença e a produção variaram conforme a variedade analisada. Na laranja Hamlin, por exemplo, a incidência de greening foi maior nas bordas onde a poda foi adotada.
“Sem um controle rigoroso do vetor, o risco é maior”, avalia um dos autores do estudo, o pesquisador da Embrapa, Eduardo Girardi.
Resultados que impressionam
Foi observado ainda que nos blocos centrais dos pomares, a população do psilídeo e a incidência da doença foram semelhantes entre plantas podadas e não podadas, indicando que a poda nas bordas não foi suficiente para impedir a dispersão do inseto para o interior do pomar.
Já nos talhões de Valência Americana, não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos. Segundo o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi, a principal limitação esteve no manejo do vetor.
“Intervalos longos entre pulverizações e a ausência de rotação de inseticidas favoreceram populações resistentes”, explicou Bassanezi.

Na variedade Hamlin, houve redução da produtividade nas árvores podadas. Em contrapartida, os frutos apresentaram maior tamanho, peso e coloração mais intensa da casca, embora com menor teor de sólidos solúveis, efeito possivelmente relacionado à diluição causada pelo maior volume dos frutos.
Para os pesquisadores, a poda de topo com efeito isca não deve ser adotada de forma isolada, tendo que estar integrada a boas práticas de manejo, como pulverizações mais frequentes, rotação de inseticidas, erradicação de plantas doentes e planejamento operacional das áreas de borda, além da avaliação do impacto da perda de produção nas árvores podadas.
“Se o produtor não tiver um controle muito bem feito do psilídeo ou estiver em regiões com altas populações infectivas, a estratégia pode trazer mais problemas do que soluções”, alertou Girardi.
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