Preço do frete cai com menor demanda no transporte de grãos

Conab aponta retração nas principais rotas de transporte após o fim da colheita e menor movimentação de cargas.

Os preços do frete rodoviário para o transporte de grãos registraram queda em setembro nas principais rotas do país, segundo dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta sexta-feira (24). A redução ocorre após o fim do pico de escoamento das safras e reflete a menor demanda por caminhões.

Soja após colheita em Mato Grosso do Sul. (Foto: TV Morena)
Redução da demanda de grãos impacta no preço do frete | Foto: TV Morena

Em estados como Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o recuo nas cotações foi mais evidente. Em Goiás, a demanda por transporte diminui com o fim das entregas da safra. No Distrito Federal, além do encerramento da segunda safra de milho, pesaram também os custos operacionais e combustíveis mais baratos. Em Mato Grosso do Sul, mesmo com o transporte interno ainda aquecido, a oferta de caminhões superou a demanda após a finalização da colheita do milho segunda safra.

Por outro lado, o boletim registra alta nos preços do frete em estados como Maranhão, Paraná e São Paulo, impulsionada por aumento na demanda e realocação de rotas comerciais devido a fatores internacionais, como as tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Estabilidade em Mato Grosso graças à alta demanda

Em Mato Grosso, o preço do frete apresenta estabilidade, com oscilações moderadas entre as principais rotas de escoamento da produção agrícola. Enquanto alguns trajetos registraram recuperação parcial após quedas expressivas em meses anteriores, outros apresentaram leve retração, especialmente nas rotas com destino aos portos do Arco Norte.

De acordo com levantamento recente do setor, os fretes com destino aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) mostraram uma recuperação parcial das perdas registradas no mês anterior, após um período de forte retração. Já os portos do Arco Norte — que incluem Miritituba (PA) e Itaqui (MA) — apresentaram movimento contrário, com queda nos preços em setembro. Nos pontos de transbordo, os valores permaneceram próximos à estabilidade, com pequenas variações negativas.

Um fator que sustenta o ritmo atual do mercado é o alto volume de grãos a ser escoado no estado. As safras recordes de soja e milho de 2025 impulsionam a demanda por transporte, tanto para o mercado interno quanto para exportação. O cenário internacional também contribui, com a continuidade das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o que tem redirecionado parte da demanda chinesa para o produto brasileiro, especialmente o originário de Mato Grosso.

De acordo com dados do setor, Mato Grosso respondeu por 53,6% das exportações brasileiras de milho e 11,8% das de soja, reforçando sua posição de destaque na logística nacional. Com o escoamento intenso e a frota em operação plena, o estado mantém papel central no abastecimento e nas exportações do agronegócio brasileiro.

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