Produção brasileira de grãos deve chegar a 353 milhões de toneladas

O volume da safra representa um aumento de 1% em relação à safra anterior e, se confirmado, será o maior da história

O Brasil pode colher 353,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26. A previsão foi divulgada nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e se confirmada, o país bate novo recorde.

O número representa um crescimento de 1% em relação ao ciclo anterior. O avanço vem principalmente da expansão da área plantada, que deve chegar a 84,2 milhões de hectares, cerca de 2,5 milhões a mais que no último ciclo.

Safra 2025/26 pode ser a maior da história do Brasil.(Foto: Primeira Página)
Safra 2025/26 pode ser a maior da história do Brasil.(Foto: Primeira Página)

A produtividade média tende a cair 2% por causa das incertezas climáticas, mas ainda assim o saldo é positivo.

“Temos um aumento de 3,5 milhões de toneladas na produção de grãos. Isso mostra a confiança de quem produz no campo e também o efeito do crédito agrícola e das políticas públicas. Essa combinação garante comida suficiente para o Brasil e para o mundo”, afirma o presidente da Conab, Edegar Pretto.

A publicação Perspectivas para a Agropecuária 2025/26 é elaborada em parceria com o Banco do Brasil. Segundo a ministra substituta do MDA, Fernanda Machiaveli, o estudo funciona como “bússola” para orientar tanto produtores quanto o governo. Ela ressaltou que o desafio é manter os recordes em meio às mudanças climáticas e a crises geopolíticas.

O levantamento também destaca a força do crédito. Nos últimos dois meses, o Banco do Brasil liberou mais de R$ 40 bilhões para financiar a nova safra. Já o Ministério da Agricultura calcula que os custos totais da produção agrícola brasileira ultrapassem R$ 1,1 trilhão.

Recorde também nas carnes

Além dos grãos, a produção de carnes deve alcançar 32,3 milhões de toneladas em 2026. O destaque fica para o frango e o suíno, que puxam o resultado para cima. Só o frango deve chegar a 15,9 milhões de toneladas, e os suínos a 5,8 milhões, os maiores volumes já registrados pela Conab.

Produção de carnes deve chegar a 32,3 milhões de toneladas em 2026, puxada por frango e suínos. (Foto: Reprodução)
Produção de carnes deve chegar a 32,3 milhões de toneladas em 2026, puxada por frango e suínos. (Foto: Reprodução)

Mesmo com o crescimento das exportações, o abastecimento interno também aumenta. A previsão é de que cada brasileiro tenha à disposição, em média, 51 quilos de frango no ano que vem. Já a carne suína deve garantir cerca de 4,3 milhões de toneladas para o mercado interno.

No caso da carne bovina, a Conab projeta um leve recuo, com produção em torno de 10,6 milhões de toneladas, resultado da menor oferta de animais para abate.

Soja segue puxando a produção

A produção de soja deve alcançar 177,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 3,6% em relação ao último ciclo. O resultado reforça o Brasil como maior produtor mundial do grão, fundamental para abastecer o mercado interno e atender à demanda global por ração animal e biocombustíveis.

Soja deve render 177,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. (Foto: Primeira Página)
Soja deve render 177,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. (Foto: Primeira Página)

Milho ganha força com o etanol

O milho deve alcançar 138,3 milhões de toneladas, uma leve queda de 1% em relação à safra anterior. Mesmo assim, o cereal segue em alta. Além das exportações, cresce cada vez mais o uso interno para a produção de etanol de milho, setor que avança principalmente no Centro-Oeste.

Algodão em expansão

O algodão também aparece em destaque, com expectativa de recorde. A produção pode chegar a 4,09 milhões de toneladas da pluma, impulsionada pela boa rentabilidade e pela possibilidade de vendas antecipadas. Mato Grosso segue liderando o setor.

Arroz e feijão no prato do brasileiro

No caso do arroz, a projeção é de 11,5 milhões de toneladas, número suficiente para garantir o abastecimento interno, mesmo diante da retração da área plantada e da queda de preços. Já o feijão deve ficar estável, em torno de 3,1 milhões de toneladas, assegurando presença no prato das famílias brasileiras.

Outras informações sobre o panorama dos principais grãos cultivados no país podem ser conferidos por meio das perspectivas do Governo.

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