Produção de suínos cresce devido festas de fim de ano em MS
Abatedouros trabalham no limite de produção nesta reta final de 2025
Mato Grosso do Sul tem ampliando sua produção de suínos. O motivo tem sido o aumento do consumo da proteína no final do ano, devido as festividades de Natal e Ano Novo. A Asumas (Associação Sul Mato Grossense de Suinocultores) afirma que a demanda interna segue estável, com leve recuperação do consumo per capita nacional e expansão das exportações brasileiras, o que deve absorver parte do incremento produtivo.

Em entrevista ao Primeira Página, o presidente da Asumas, Renato Spera, explicou que o mercado atual encontra-se em expansão com profissionalização do setor, e aumento dos investimentos tecnológicos.
“O estado cresce em número de granjas e matrizes, investe em tecnologias e sustentabilidade, e tem vantagem logística (acesso a grãos e rotas de escoamento). O mercado regional está bem posicionado para ganhar mercado nacional e exportador, desde que mantenha biossegurança e controle de custos”, enfatizou Spera.
De acordo com o Painel da Pecuária de MS, da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), em 2024, foram abatidos 3,44 milhões de animais. No mesmo período de 2025, foram registrados 3,53 milhões de abates de suínos, um aumento de 10% frente ao ano anterior.
Estes dados confirmam as expectativas internas de produção e comercialização.

O presidente da comissão de aves e suínos da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Adoaldo Hoffmann, afirma que os abatedouros têm trabalho em seus limites nesta reta final do ano.
“A gente nota que as plantas de suíno do estado estão no seu limite de produção e isso é reflexo realmente às vezes do final do ano que tem o maior consumo de suínos. Nossas plantas estão abatendo o máximo possível e com uma perspectiva de crescimento nos próximos meses e no ano que vem principalmente”, pontuou Hoffmann.

Os preços do animal vivo e da carcaça no Brasil variam conforme oferta de milho/soja (ração) e demanda externa. Segundo o presidente, o valor dos grãos é o principal fator de influência no custo de produção. Além da alimentação, outros itens também desafiam a produção e aparecem consistentemente nas discussões regionais e nas pautas das associações locais.
Entre os desafios enfrentados pelos produtores estão:
- Biosseguridade e risco sanitário (ameaça constante às exportações e produção local).
- Capacidade de abate/industrialização e logística para escoar produção crescente.
- Pressões por sustentabilidade e certificações (exigências de mercado e compradores).
- Financiamento e capital para modernização de granjas de pequeno/médio porte.
Adoaldo Hoffmann afirma que o setor se manteve estável neste ano, e que além disso a suinocultura busca não ficar refém de um único mercado comercial.
“O nosso desafio é manter o nível de competitividade da nossa proteína, manter o estado sanitário, a qualidade do nosso produto e tentar diversificar ao máximo o destino da nossa proteína, vender para uma maior quantidade de países possíveis”, explicou Hoffmann.

Apesar dos entraves, o setor encerra 2025 com avanços em competitividade, organização setorial e credibilidade sanitária. A oferta de grãos, aliada ao ambiente sanitário de baixa pressão de doenças, manteve a competitividade no estado.
Sustentabilidade aliada a produção de suínos
Os suinocultores de Mato Grosso do Sul têm adotado práticas sustentáveis visando melhorar a produção e conquistar incentivos financeiros.
Entre os novo manejos adotados tem-se:
- Adoção de práticas sustentáveis e certificações regionais (programas locais de sustentabilidade).
- Automação e melhorias de manejo (climatização e monitoramento).
- Integração com geração de energia (biogás) e uso de resíduos para circularidade.
- Valorização de programas de conformidade (qualidade, bem-estar) que abrem mercados premium e exportação.
As ações são utilizadas como diferencial comercial e também como requisito para acessar determinados mercados e compradores.
Um dos destaques é o PAS (Programa Asumas de Sustentabilidade), destinado a certificação de granjas que adotam práticas sustentáveis, elevando padrões ambientais, sociais, econômicos, de biosseguridade e bem-estar animal.
Expectativas para 2026
O cenário para o próximo ano é otimista! O setor prevê crescimento do rebanho, ampliação industrial e novas oportunidades externas. A Asumas estima que a suinocultura alcance o número expressivo de 150 mil matrizes, no ano que vem.
O status de livre de febre aftosa sem vacinação reforça a confiança sanitária e amplia o potencial de acesso a mercados. Além disso, a Rota Bioceânica deve reduzir os custos logísticos para países latino-americanos e regiões do Pacífico.
No ano seguinte, o desafio será manter a sustentabilidade, sanidade e organização para transformar o ciclo de expansão em maior valor agregado e presença internacional.
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