Produtor símbolo de ESG planta sementes para um mundo melhor

Celso Brixner, pecuarista da cidade de Corguinho, virou exemplo ao investir em conceitos de preservação do meio ambiente, melhoria social e de governança de olho no futuro

Criador de gado de cria e engorda na fazenda Macaúba, em Corguinho, Celso Brixner é o produtor rural símbolo da cultura ESG no campo em Mato Groso do Sul. Algo que ele plantou sem saber que daria tantos frutos.

O pecuarista Celso Brixner recebe visitante em sua fazenda, em Corguinho.
O pecuarista Celso Brixner recebe visitante em sua fazenda, em Corguinho. (Foto: Arquivo Pessoal)

“A equipe do Senar dava assistência na área de pecuária, sempre queria algum acompanhamento na área de produção de frutas , gosto de produzir, trago esse conceito da minha família do Rio Grande do Sul, onde em casa podíamos produzir de tudo. Quando a equipe do Senar (Serviço de Aprendizagem Rural) veio me apoiar, foi ela que começou a mostrar que dentro da propriedade eu desenvolvia conceitos de ESG. A partir daí só fomos fazendo algumas adaptações, e até hoje estamos a cada dia implementando novas ações na propriedade que fortaleçam esse conceito”, diz Celso.

ESG é a sigla em inglês para meio ambiente (environment), social e governança (governance).

“Tenho como filosofia de vida que devemos plantar uma árvore sem se preocupar com quem vai aproveitar a sua sombra. Temos de cuidar do meio ambiente, cuidar das pessoas e do mundo. Precisamos de alimentos saudáveis, que garantam a segurança e a soberania alimentar”, afirma o pecuarista.

A soberania alimentar é um conceito criado em 2001 que traduz a ideia de que a comida não deve ser apenas uma mercadoria, mas um direito dos povos e um pilar de autonomia, justiça social e sustentabilidade.

Uma ideologia que completa outra. A de que é preciso fazer a sua parte para alcançar o todo.

A primeira medida que o pecuarista tomou foi cercar toda a margem do rio, isolando as nascentes e a mata ciliar dos perigos do desmatamento, do assoreamento e da consequente seca.

“Temos uma nascente que alimenta o rio Buriti, que nasce na propriedade. Esse rio desagua no Aquidauana, que, avança e deságua no Pantanal. É uma cadeia. Ao cercar a nascente e preservar a mata ciliar, evitamos o assoreamento”, explica.

Para reforçar o cuidado, todas as pastagens foram reformadas, inclusive as curva de nível que impedem os dejetos de se depositarem no rio.

A fazenda ainda tem coleta seletiva de lixo e cuidados com o caseiro.

Celso diz que a casa onde o colaborador mora é bem cuidada e que o Senar Saúde garante que ele esteja sempre saudável.

Além do Senar, o pecuarista conta do com a ajuda de alunos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para numa troca de conhecimentos. Os estudantes vislumbram, na prática, a implantação do ESG numa propriedade rural, e acabam trazendo conceitos teóricos que o pecuarista adota na propriedade.

Crianças e adolescentes das escolas de Corguinho também usufruem da natureza. Visitam periodicamente o local em excursões guiadas por professores para aprendem a valorizar o conceito de ESG e tudo que o cerca.

Criança, de chapéu, planta uma muda na fazenda Macaúba, em Corguinho.
Criança, de chapéu, planta uma muda na fazenda Macaúba, em Corguinho. (Foto: Celso Brixner)

E até mesmo os clientes da fazenda valorizam o que encontram.

“A propriedade começa a ser vista com um novo olhar. Quem interage com a gente, seja vendedor ou comprador, sabe que na propriedade levamos muito a sério este conceito. Desta forma agregamos valor a nossos produtos, mas o mais importante é que nosso entorno percebe que é possível produzir sem agredir o meio ambiente, que nossa ação somada com muitas outras experiências contribuem para um mundo mais sustentável”, afirma.

Essa consciência, segundo Celso, veio naturalmente, com seus conceitos de vida.

Uma semente que agora ele espalha sempre que pode.

“Sem preservar, não teremos mais produção. Faz-se necessário trazer a discussão sobre as mudanças climáticas. E creio que o homem do campo muito pode contribuir nesse processo. Quando vim para Mato Grosso do Sul, há mais de 30 anos, tínhamos uma realidade diferente. Hoje estamos vendo o rio Taquari assoreado, Pantanal seco, animais morrendo de sede e de fome com as queimadas. É possível produzir com qualidade na perspectiva de construir um futuro melhor.”

E ele finaliza com uma frase que rende muita reflexão.

“Não vou ficar rico, mas vou ajudar para que exista um futuro melhor.”

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    Alex Mendes
    Alex Mendes