Programa Agroflorestar MS democratiza mercado de carbono para agricultura familiar

O programa que une inovação a práticas sustentáveis será apresentado no MSDay, na COP30

Enquanto grandes corporações e países negociam créditos de carbono que valem fortunas, 3,9 milhões de propriedades da agricultura familiar brasileira, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa, enfrentam barreiras econômicas para participar desta equação.

Com o intuito de mudar esse cenário, foi implementado em Mato Grosso do Sul o Programa Agroflorestar MS – Carbono Neutro. O projeto auxilia na redução dos custos administrativos e facilita a entrada de pequenos produtores no mercado de compensações de carbono.

Ilustração de um propriedade de agricultura familiar
Ilustração de um propriedade de agricultura familiar. (Foto gerada por Inteligência Artificial)

Em artigo publicado, pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) explicam que a iniciativa simplifica significativamente o processo de certificação de créditos de carbono — antes complexo, caro e dependente de auditorias internacionais presenciais. Além de gerar e gerenciar todos os processos — depósito, validação, certificação e comercialização dos créditos de carbono de forma automatizada e acessível.

O Programa Agroflorestar MS, coordenado pela APOMS (Associação dos Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul) com suporte técnico-científico da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e apoio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), realiza o sensoriamento remoto via satélite das áreas de agrofloresta.

A plataforma ACORN (Agroforestry CRUs for the Organic Restoration of Nature), desenvolvida e financiada pelo Rabobank em parceria com a Plan Vivo, responsável pela mensuração do crescimento da biomassa nas áreas rurais, elimina a necessidade das antigas avaliações de alto custo.

De acordo com a publicação, nos próximos anos, a iniciativa deve integrar cerca de 800 produtores em uma área de 2.000 hectares aos projetos de maior escala em consonância com a conservação de florestas naturais ou restauradas.

Diferenciais do Sistema

Cada sistema agroflorestal é estruturado conforme as necessidades e metas de cada família — seja gerar renda, restaurar ou conservar florestas. Com o sensoriamento remoto, é possível monitorar até mesmo pequenas áreas, a partir de um hectare.

O programa proporciona ainda a renovação dos estoques de espécies frutíferas e madeiras nativas dos biomas locais, e incentiva a sucessão familiar em comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos.

A tecnologia torna o processo mais transparente e dá credibilidade, demonstrando que a inclusão da agricultura familiar no mercado de carbono não é apenas uma questão de justiça social, mas de eficácia climática.

Leia mais

  1. Projetos sustentáveis do IFMS serão apresentados em festival no Paraná

  2. Cientistas da UFMT mostram que o algodão pode nascer entre árvores e sem agrotóxicos

  3. Pantanal, famílias rurais e povos indígenas: MT apresenta propostas para COP 30

COP30

Em novembro, Mato Grosso do Sul terá seu próprio espaço de destaque na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), o MS Day, onde serão apresentadas iniciativas como o Agroflorestar MS.

O mercado de carbono, quando bem estruturado e democratizado pela tecnologia, deixa de ser um conceito abstrato para se tornar uma ferramenta concreta de transformação.

Os pesquisadores que compõem o projeto apostam na capacidade de conectar o global ao local, transformando pequenas propriedades rurais em aliadas para a estabilidade climática, traduzindo o cuidado com a terra em dignidade econômica para quem a cultiva.

*Com informações do artigo elaborado por:

  • Luís Antônio Kioshi Aoki Inoue (Pesquisador Embrapa Agropecuária Oeste)
  • Tarcila Souza de Castro Silva (Pesquisadora Embrapa Agropecuária Oeste)
  • Laurindo André Rodrigues (Pesquisador Embrapa Agropecuária Oeste)
  • Olácio Komori (Associação dos Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul – APOMS)
  • Rafael Zanoni Fontes (Chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste).

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.