O cultivo de pulses – grupo de alimentos que inclui feijões, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico – têm crescido no Brasil. E não é diferente no Mato Grosso do Sul. A maior demanda interna e externa por leguminosas contribui para a abertura de novas oportunidades de mercado, tornando a cultura economicamente atrativa como complemento às atividades tradicionais do agronegócio.
Pulses apresentam maior eficiência no uso da água e melhor adaptação ao regime hídrico. (Foto: CNA)
De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) , o estado reúne condições favoráveis para ampliar a produção, em função de sua base agrícola consolidada, ao clima adequado, às áreas mecanizáveis e à predominância de sistemas produtivos de soja e milho.
Cenário propício para a diversificação de culturas, especialmente durante a 2ª safra de grãos e no período de entressafra.
“A existência de infraestrutura logística, cadeias de suprimentos organizadas e políticas públicas voltadas ao estímulo de novas culturas reforça a viabilidade técnica e econômica da introdução e expansão das leguminosas secas no estado”, afirmou o economista da Famasul, Jean Américo.
Cultivo de feijão ganha espaço pelo bom desempenho produtivo e pela demanda crescente. (Foto: Mapa)
O analista de economia da Famasul, Jean Américo, aponta que os principais municípios produtores estão localizados em regiões com forte presença da agricultura empresarial, boa logística e histórico de adoção de tecnologias, especialmente nas áreas sul, sudoeste e central do estado.
A produção de pulses concentra-se principalmente no feijão e em cultivos pontuais ou experimentais de outras leguminosas, como:
Feijão mungo;
Ervilha;
grão-de-bico.
No entanto, a área cultivada com pulses em Mato Grosso do Sul ainda é relativamente pequena quando comparada às grandes culturas, como soja e milho.
As projeções indicam crescimento gradual da área e da produção de pulses nos próximos anos em Mato Grosso do Sul.
Segundo o analista da Famasul, esse crescimento é impulsionado pela combinação de incentivos fiscais, aumento da demanda global por leguminosas, maior atenção às questões ambientais e busca dos produtores por alternativas economicamente viáveis ao milho 2ª safra.
“Trata-se de um movimento de expansão progressiva e estratégica, voltado à diversificação, e não à substituição das culturas tradicionais”, explicou ele.
Pulses se destacam como alternativa ao milho e amplia a diversificação da produção. (Foto: Arquivo pessoal)
O potencial de mercado para os pulses no estado é considerado elevado, com destaque inicial para o mercado externo. A curto prazo, a estratégia tende a concentrar-se na exportação, considerando a forte demanda por leguminosas em países como:
Ásia;
Oriente Médio;
África;
União Europeia.
A médio e longo prazo, o avanço da produção deve reforçar também a oferta ao mercado interno, acompanhando o aumento do consumo doméstico e o crescimento da indústria de alimentos.
“Mato Grosso do Sul reúne condições para se afirmar como um polo produtor e exportador de pulses, apoiado em escala produtiva, infraestrutura logística e ambiente institucional favorável”, afirmou Américo.
Cenário econômico em Mato Grosso do Sul
A inclusão de pulses na rotação de culturas oferece vantagens econômicas ao produtor, como diversificação da renda, redução do risco produtivo e financeiro e maior flexibilidade no calendário agrícola.
Em alguns cenários, essas culturas também podem gerar margens superiores às do milho segunda safra, especialmente quando destinadas a nichos específicos ou ao mercado externo.
Vale destacar que em 2025, as exportações brasileiras de pulses cresceram 30% e alcançaram US$ 448,1 milhões em receita. Os feijões secos responderam por mais de 98% desse total, somando US$ 443,34 milhões.
Pulses elevam receita e ampliam espaço no comércio global. (Foto: Reprodução)
O cultivo também surge como importante fonte de renda extra, sobretudo na entressafra. Com ciclo curto e janela de plantio mais flexível que o milho 2ª safra, além do uso da estrutura já disponível na propriedade, os pulses permitem ao produtor gerar receita adicional em períodos tradicionalmente pouco aproveitados.
Sustentabilidade associada
O cultivo de pulses fortalece a sustentabilidade dos sistemas produtivos. As leguminosas fazem fixação biológica de nitrogênio, reduzindo o uso de fertilizantes minerais e os impactos ambientais, além de melhorar a estrutura física e biológica do solo.
“É plenamente possível afirmar que essas culturas estão alinhadas às demandas por uma agricultura sustentável, de baixo impacto ambiental e compatível com os princípios da agricultura de baixo carbono”, ressaltou o economista.
Cultivo de pulses contribui para a fixação biológica de nitrogênio no solo e reduz custos da cultura subsequente. (Foto: Embrapa)
As leguminosas também ajudam a quebrar ciclos de pragas e doenças e aumentam o nitrogênio disponível, reduzindo custos da cultura plantada na sequência. Os pulses têm ainda maior eficiência no uso da água e se adaptam melhor ao regime hídrico regional do que o milho da 2ª safra.
Renda extra ao produtor
O Decreto nº 16.649/2025, que criou incentivos fiscais específicos para leguminosas, traz mudanças práticas ao produtor. O principal efeito é a reorganização da tributação na comercialização, especialmente nas vendas interestaduais, com aplicação de crédito outorgado e alíquotas diferenciadas de ICMS (imposto estadual sobre circulação de mercadorias).
“Esse arranjo contribui para maior previsibilidade e racionalidade na incidência do tributo ao longo da cadeia, favorece a formação de preços mais competitivos e fortalece a inserção dos pulses produzidos em Mato Grosso do Sul frente a outros estados e mercados concorrentes”, afirmou Américo.
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