Soja: chuva atrasa colheita em MT e perdas chegam a R$ 1.800 por ha

Excesso de chuvas eleva umidade dos grãos, amplia descontos e dificulta avanço das máquinas nas lavouras de Mato Grosso.

As chuvas intensas que atingem Mato Grosso nas últimas semanas vêm comprometendo o encerramento da colheita da soja e ampliando as perdas nas propriedades rurais. Com áreas ainda por colher, o excesso de precipitações têm limitado a retirada dos grãos no momento ideal, colaborando para um aumento no índice de avarias e descontos aplicados na comercialização.

Em muitas lavouras, os últimos talhões já apresentam deterioração visível, com soja brotando nas vagens e grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns. O resultado tem sido impacto direto na rentabilidade da safra, que até a reta final vinha sendo considerada promissora.

Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita da safra 2025/26 já ultrapassou 65% da área plantada no Estado, mas o ritmo desacelerou nas últimas semanas em função das chuvas frequentes. A consequência é perda de qualidade e aumento dos descontos aplicados no momento da entrega.

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Apesar das fortes chuvas, Mato Grosso segue líder no percentual de soja já colhida no país. – Foto: Aprosoja

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), o avanço das máquinas segue comprometido já que em algumas regiões produtoras as chuvas já duram aproximadamente 30 dias. Além de limitar o trabalho de colheita, as condições climáticas também afetaram a comercialização do grão. 

Um levantamento realizado em parceria com o Imea e a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia aponta que os prejuízos podem chegar a cerca de R$ 1.800 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da alta umidade. A situação registrada no extremo Norte se repete em outras regiões do Estado.

Logística afetada

Além das perdas dentro da lavoura, a logística se tornou um dos principais gargalos na colheita. Com grande parte das estradas rurais sem pavimentação, o excesso de chuvas provocou atoleiros, quedas de pontes de madeira e interrupções no tráfego, dificultando o escoamento até os armazéns e aumentando o risco de deterioração da carga.

Outra preocupação logística tem afetado os produtores de soja: a fila no Porto de Miritituba (PA). Também pressionado pelas chuvas e a lentidão no processo de triagem, a região do porto já apresenta congestionamento de 20 quilômetros, fazendo com que com que caminhoneiros demorem até três dias para descarregar. 

Os efeitos do cenário climático também têm afetado a chegada das cargas mato-grossenses, por conta das estrada de terra afetadas pelas chuvas constantes

Segunda safra 

Municípios como Feliz Natal (MT), Matupá (MT), Marcelândia (MT) e Santa Carmem (MT) já decretaram situação de emergência para acelerar intervenções em estradas e pontes. A medida é vista como uma garantia para a retirada da produção mesmo diante da pressão na segunda safra.

Embora o plantio do milho siga em andamento, parte da área deverá ser semeada fora da janela ideal devido ao atraso da soja. Mesmo assim, no campo a prioridade permanece sendo a retirada do grão já colhido.

Enquanto monitoram as previsões climáticas, agricultores tentam aproveitar qualquer janela de sol para reduzir os prejuízos de uma safra que agora caminha para um desfecho de maior incerteza.

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