Startup usa abelhas sem ferrão para elevar produção no campo
Iniciativa voltada à agricultura familiar, empresas ligadas ao turismo e a educação ambiental promove o aumento da qualidade dos cultivos e da produtividade em mais de 30%
Uma solução natural promete aumentar a produtividade agrícola em 30% na hortas e lavouras de agricultura familiar de Mato Grosso do Sul. A iniciativa usa abelhas sem ferrão para polinizar as plantas.

A ideia é da startup Agro Nativa e beneficia principalmente as plantas com flores e frutos (angiospermas). Entre elas:
- Solanaceae (tomate, berinjela, pimentão)
- Fabaceae (feijão, soja, vagem, crotalária)
- Cucurbitaceae (pepino, abóbora, melancia, maxixe)
- Malvaceae (quiabo, algodão, cacau)
Meliponários estruturados para a criação de abelhas nativas sem ferrão são instalados em locais próximos à área alvo. Além da agricultura familiar, o produto também é indicado para empresas ligadas ao turismo e à educação ambiental.
Com custo médio de R$3 mil para propriedades de até 10 hectares, o produtor investe apenas uma vez e consegue aumentar sua produtividade agrícola de forma natural, sem ampliar áreas de cultivo ou depender de produtos químicos, apenas fortalecendo a polinização feita pelas abelhas nativas sem ferrão.

O biólogo e idealizador do projeto, Eduardo Cerqueira e Silva, explica que o modelo de negócio tem como diferenciais a segurança, o manejo simples e os valores ecológicos agregados.
“Entre os diferenciais temos: segurança (abelhas sem ferrão, adequadas para pequenas propriedades e áreas urbanas), manejo simples, protocolo técnico proprietário e métricas de desempenho produtivo, entregando retorno sobre o investimento de maneira rápida e valorizando práticas ESG ( Environmental, Social and Governance)”, afirmou Cerqueira.
O modelo de negócio que combina venda, instalação, treinamento e assessoria técnica, gera impacto positivo em três dimensões: econômico, ao elevar a produtividade; ambiental, ao conservar espécies nativas; e social, ao envolver famílias e comunidades na construção de um agro mais sustentável.
Sua origem
Após pesquisas científicas realizadas na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), o pesquisador constatou que as abelhas nativas são responsáveis pela polinização de mais de 70% dos cultivos agrícolas.
Foi então que o projeto Agro Nativa surgiu, a fim de oferecer o serviço de polinização e produção de mel para agricultores, setor este responsável pelo fornecimento da maior parte dos alimentos que são consumidos no Brasil.

A polinização cruzada feita pelo inseto por meio do transporte de pólen entre espécies vegetais eleva a diversidade genética das plantas, aumentando a taxa de fecundação e consequentemente a qualidade dos frutos, que devem ser maiores e com mais sementes.
“As abelhas nativas não polinizam apenas as lavouras — elas também são fundamentais para a regeneração das matas nativas. Ao favorecer a reprodução das plantas do Cerrado, elas ajudam a recompor áreas degradadas, atraindo novamente os animais e reativando toda a cadeia trófica, até os predadores de topo”, acrescentou o biólogo.
Prêmios conquistados
A startup Agro Nativa com potencial transformador conquistou o primeiro lugar no programa Inova Cerrado e o prêmio de R$ 15 mil no início de 2025.

O “Inova Cerrado” assim como o “Inova Pantanal” fazem parte do chamado “Inova Biomas”, executado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em âmbito nacional, com o intuito de fomentar o desenvolvimento das regiões, de acordo com as potencialidades de cada ecossistema, por meio do empreendedorismo.
“Em Mato Grosso do Sul, como temos a presença de dois biomas diferentes, o Cerrado e o Pantanal, o programa foi desdobrado em dois – cada um voltado para a realidade de cada território, mas com o mesmo propósito”, explicou a analista técnica do Sebrae/MS, Lais Maluf.
Em janeiro deste ano, foram reconhecidas ao todo seis propostas de negócios pelos dos programas, e entregues prêmios de R$5 mil, R$10 mil e R$15 mil para os três melhores de cada bioma.

Desde seu lançamento em 2023, mais de 80 projetos – cerca de 40 em cada um dos programas “Inova Cerrado” e “Inova Pantanal” foram beneficiados.
As ideias de negócio são avaliadas por meio de critérios técnicos e de impacto em duas fases, entre os critérios estão:
- Inovação da solução proposta;
- Potencial de mercado e sustentabilidade financeira;
- Relevância para o território (Cerrado ou Pantanal);
- Grau de maturidade do negócio;
- Capacidade da equipe executora;
- Impacto socioambiental gerado.
A primeira etapa voltada à ideação, apoia os participantes a transformarem ideias em negócios ou aprimorarem aquilo que já vinham desenvolvendo no empreendedorismo. Já a segunda etapa denominada “Tração” tem o intuito de apoiar na expansão dos negócios com um acompanhamento de seis meses.
De acordo com a analista técnica são oferecidas consultorias, materiais e atendimento especializado de acordo com a necessidade de cada projeto. Os projetos acompanhados recebem uma bolsa sócio-empreendedor de R$ 6.500,00 mensal pelo período de seis meses (durante a execução dos programas) para investimento no negócio.
“Mais do que financiar ideias, o programa ajuda a estruturar negócios com propósito, fortalecendo as economias regionais e estimulando a bioeconomia nos biomas Cerrado e Pantanal”, pontuou Maluf.
No estado, a iniciativa do Sebrae/MS e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), conta com o apoio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia).
Abelhas no Cerrado
Desde 2014, o Ministério do Meio Ambiente classifica a Melipona rufiventris, popularmente conhecida como Uruçu Amarela do Cerrado, como espécie ameaçada de extinção devido à perda de habitat e à sua exposição a pesticidas.
Com o intuito de evitar o desaparecimento silencioso das abelhas nativas e gerar renda extra aos agricultores, foi criada a campanha de financiamento coletivo Abelhas no Cerrado em conjunto com o projeto Agro Nativa para promover a instalação de meliponários em espaços de conservação.
Atualmente a iniciativa contempla mais de 100 famílias produtoras da comunidade rural de Furnas do Dionísio em Mato Grosso do Sul. O projeto desenvolve estudos genéticos, análises geoespaciais e serviços ecossistêmicos de polinização.
“Temos uma preocupação especial com a biodiversidade e a conservação da natureza. Por isso, em 2026 esperamos ampliar nossas ações junto a produtores rurais de comunidades locais, promovendo a produção agrícola em sinergia com a preservação de espécies de abelhas nativas ameaçadas de extinção”, afirmou Eduardo Cerqueira e Silva.
Foi iniciado nesta semana o resgate de abelhas Uruçu Amarela do Cerrado que devem ser integradas ao laboratório vivo de conservação na comunidade quilombola. Mais informações podem ser encontradas por meio do link: https://arcg.is/1H84DT1
Os interessados em ajudar o projeto coletivo de financiamento podem acessar a página oficial aqui. https://benfeitoria.com/abelhanativa.
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