17 milhões de vertebrados morreram em 2020 no Pantanal por consequência das queimadas
Sim, você leu certo: 17 milhões de vertebrados morreram, em 2020, por conta dos incêndios e das queimadas que ocorrem no Pantanal. O estudo foi feito por 30 pesquisadores de universidades, órgãos não-governamentais e de órgãos públicos, que se uniram para fazer um levantamento da catástrofe que o bioma vem sofrendo dia após dia. Segundo […]
Sim, você leu certo: 17 milhões de vertebrados morreram, em 2020, por conta dos incêndios e das queimadas que ocorrem no Pantanal. O estudo foi feito por 30 pesquisadores de universidades, órgãos não-governamentais e de órgãos públicos, que se uniram para fazer um levantamento da catástrofe que o bioma vem sofrendo dia após dia.

Segundo os pesquisadores, essa pesquisa é pioneira no uso da “técnica de amostra de distâncias em linhas”, que calcula mortes de animais em queimadas. A metodologia é baseada nos transectos, que são trilhas em linha reta por meio de áreas pré-determinadas pelos focos de incêndio no local. As trilhas em linha percorrida possuem entre 500m e 3km. Ao todo, o estudo percorreu 114 km de transectos.
“O método é diferente, ele se baseia no conhecimento da probabilidade de detectar um animal a diferentes distâncias da linha. É uma estratégia moderna para corrigir o erro de ‘detectabilidade’, que é a probabilidade de enxergar o animal quando ele está presente na área em que se passa”, explica Walfrido Moraes Tomas, pesquisador da Embrapa Pantanal e coordenador do estudo.
Número abaixo do divulgado
Apesar de ser alarmante o número de 17 mil animais mortos, em estimativa que abrange entre janeiro e novembro de 2020, esse dado pode ser ainda pior. Isso porque muitos vivem em tocas, ou dentro de árvores, e podem ter morrido sem que ninguém os avistasse. Sem falar nos vertebrados bem pequenininhos, que podem ter sido totalmente calcinados pelos incêndios.

Biodiversidade em perigo
“A biodiversidade do Pantanal é composta por mais de 2 mil espécies de plantas, 269 peixes, 131 répteis, 57 anfíbios, 580 aves e pelo menos 174 mamíferos. O número de invertebrados é desconhecido”.
Vale ressaltar que, embora não tenham entrado no estudo, grandes vertebrados como servos, veados, antas e onças foram frequentemente encontrados durante as batalhas de combate ao fogo. O estudo ainda fala sobre as mudanças climáticas, que são ocasionadas pelas ações do homem, têm influenciado nas secas da região. E que incêndios são parte da dinâmica natural do Pantanal, mas não da maneira e com a intensidade que estão ocorrendo.
E 2021?
Os incêndios registrados até agora, em 2021, no Pantanal, são cerca de 10% do que queimou no ano anterior. Entretanto, o período de seca na região vai até outubro. Até mesmo por isso é importante que investimentos continuem sendo feitos para que os profissionais possam trabalhar.
Diego Viana, veterinário participante do Projeto Felinos Pantaneiros, do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), explica que a ajuda das pessoas, seja no combate ativo ou financeiramente, é de extrema importância.
“Precisa-se de combustível, barcos e carro para deslocamento a grandes distâncias até locais remotos. No ano passado teve gente doando R$ 2, R$ 5, e isso ajuda. O que importa, além do recurso, é a vontade de se envolver e colaborar de alguma forma. Isso nos dá força para continuar”, afirma.
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