Da onça-pintada à arara-azul: pesquisa inédita revela o que pensam os brasileiros sobre os animais
Especialistas do ICMBio alertam que salvar espécies como a onça-pintada exige apoio concreto a políticas públicas e combate ao retrocesso ambiental.
Cientes de que habitam um país rico quando o assunto é fauna e flora, os brasileiros foram ouvidos e demonstraram preocupação crescente com os animais silvestres e reconhecem a importância da conservação ambiental.

Pesquisa realizada pelo Instituto Vida Livre, em parceria com a Quaest, revelou que 92% dos brasileiros demonstram preocupação com os animais silvestres – acesse o documento na íntegra ao fim desta matéria.
O estudo aponta que, para 83% dos entrevistados, preservar a fauna nativa é “muito importante”, enquanto 9% consideram “importante”. Mais do que simpatia, o tema ganhou peso político e social: 68% da população defende que a proteção dos animais silvestres deve figurar entre as principais prioridades do país.
Quando o assunto é identidade, a onça-pintada (33%) e a arara (20%) foram eleitas os maiores símbolos da natureza nacional.

No entanto, por trás do otimismo dos dados, há uma provocação inevitável feita por quem está na linha de frente da conservação: como transformar essa comoção em engajamento prático e sustentável?
“Não existe futuro possível com florestas vazias e espécies desaparecendo diante dos nossos olhos”, avalia Marcelo Marcelino, diretor do ICMBio.
O perigo do “silêncio” ecológico
Para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os dados da pesquisa refletem o que os técnicos testemunham diariamente nas Unidades de Conservação (UCs) e centros de pesquisa. Contudo, a empatia generalizada precisa se converter em apoio às estruturas que mantêm os animais protegidos.
Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (DIBIO) do ICMBio, ressalta que o desaparecimento de uma espécie gera um efeito dominó catastrófico.
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“Quando uma onça perde território ou uma arara desaparece de um bioma, não estamos falando apenas da perda de um animal simbólico, estamos falando do enfraquecimento dos ecossistemas que sustentam a vida, a água, o clima e a própria segurança ambiental da população”, alerta o diretor.
Segundo ele, a sobrevivência desses animais depende diretamente de fatores complexos: políticas públicas permanentes, financiamento de pesquisas científicas, fiscalização rigorosa contra o crime ambiental e o fortalecimento das áreas protegidas.
Na linha de frente: o exemplo do Iguaçu
Na prática, a engrenagem que protege os grandes símbolos da nossa fauna opera longe dos olhos do grande público. No Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná — um dos maiores polos de biodiversidade e turismo do país —, a sobrevivência da onça-pintada na Mata Atlântica é garantida por um esforço hercúleo e contínuo de monitoramento, proteção territorial e cooperação entre instituições.
O chefe da unidade, Ulisses dos Santos, resume a importância do felino de forma categórica: “Onde há onça, há vida”.
Por ser um predador de topo de cadeia, a onça cumpre o papel vital de regular as populações de outras espécies e manter os processos ecológicos equilibrados. Sua presença em uma floresta funciona como um selo de qualidade ambiental: se a onça está bem, significa que todo o ecossistema ao redor está respirando.
Da sensibilidade à participação
O grande desafio para os próximos anos é estreitar a distância entre o que o brasileiro responde nas pesquisas e o que ele faz no dia a dia. Especialistas apontam que a participação ativa da sociedade pode se dar de várias formas:
- No consumo consciente (recusando produtos ligados ao desmatamento ou ao tráfico de animais);
- No apoio a ONGs e projetos de conservação locais;
- Na pressão política para que as pautas ambientais não sejam flexibilizadas no Congresso.
Com informações do ICMBio
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