Além do caramelo: Brasil abriga 6 espécies de cachorros silvestres; 4 podem sumir do mapa
Ameaças como perda de habitat pelo desmatamento, atropelamentos em rodovias, caça e doenças transmitidas por animais domésticos não vacinados colocam em risco a sobrevivência desses animais fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.
Na semana de comemorações ao Dia Mundial do Cachorro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) fez um alerta para a preservação dos canídeos silvestres que habitam o território brasileiro. Além do popular vira-lata “caramelo”, símbolo da companhia no país, o Brasil abriga seis espécies nativas de “cachorros do mato” espalhadas por biomas que vão da Amazônia ao Pampa.

No entanto, a sobrevivência da maioria desses animais está sob risco: quatro das seis espécies brasileiras já estão oficialmente classificadas como vulneráveis à extinção. Os canídeos nativos ocupam posições fundamentais no equilíbrio dos ecossistemas. Entre as espécies que habitam a fauna nacional estão:
Lobo-guará
(Chrysocyon brachyurus): O maior canídeo da América do Sul, símbolo do Cerrado;

Raposa-do-campo
(Lycalopex vetulus): Espécie endêmica do Cerrado, com hábitos focados na alimentação de insetos;

Cachorro-vinagre
(Speothos venaticus): Espécie esquiva que habita áreas de floresta e savana;

Cachorro-do-mato-de-orelha-curta
(Atelocynus microtis): Um dos canídeos mais raros da Amazônia;

Cachorro-do-mato
(Cerdocyon thous): Amplamente distribuído pelo país;

Graxaim-do-campo
(Lycalopex gymnocercus): Típico dos campos do Sul.

Ameaças Humanas
A degradação ambiental é o principal fator para o declínio das populações silvestres. Segundo o alerta ambiental, todas as espécies enfrentam pressões diretas provocadas pela ação humana:
- Perda e fragmentação de habitat: provocadas pelo avanço do desmatamento e da expansão agrícola;
- Atropelamentos: altas taxas de mortalidade em rodovias que cortam áreas preservadas;
- Caça ilegal: retaliação por conflitos com criação de animais;
- Doenças de cães domésticos: transmissão de patógenos graves (como cinomose e raiva) devido ao contato com animais domésticos não vacinados em zonas rurais e de transição.
Conhecer, respeitar e implementar medidas de conservação para esses animais é apontado pela ONU como um passo essencial para garantir o futuro e a biodiversidade dos ecossistemas brasileiros.
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