Algazarra: ariranhas descem o rio ‘gritando’ e quebram calmaria do Pantanal

As imagens feitas na região de Poconé (MT) mostram as vocalizações usadas como forma de comunicação pela espécie, considerada a maior lontra do mundo.

Um vídeo publicado nas redes sociais pelo fotógrafo de vida selvagem Roger Benedik neste domingo (24) mostra o momento em que a calmaria silenciosa do Pantanal mato-grossense é quebrada por ‘gritos’ de cerca de 10 ariranhas que desciam um rio a nado. Veja abaixo:

Fotógrafo flagra algazarra de ariranhas em ‘gritaria’ ao descerem rio no Pantanal. — Vídeo: Roger Benedik

Nas imagens feitas na região de Porto Jofre, em Poconé (MT), as ariranhas vocalizam em alto volume e intensidade, em uma cena que parece ter sido tirada de um documentário da vida selvagem.

Ao Primeira Página, Benedik explicou que as ariranhas possuem um leque muito vasto de vocalizações, pois são animais considerados sociáveis. Elas vivem em grupos e usam justamente esses sons para se comunicarem umas com as outras.

Grupo de ariranhas desceu rio aos 'gritos' na região de Poconé (MT). - Foto: Roger Benedik
Grupo de ariranhas desceu rio aos ‘gritos’ na região de Poconé (MT). – Foto: Roger Benedik

No momento do vídeo, os gritos teriam sido emitidos por mais de um minuto para chamar um indivíduo do grupo que ficou para trás durante a descida pelo rio, segundo o fotógrafo.

Pantanal • Vida Selvagem
“Elas começam a vocalizar bem alto para que fosse fácil com que o participante do grupo as encontrasse logo.”
— Roger Benedik, fotógrafo.

Ariranhas ameaçadas de extinção

O Brasil é o país com maior área de distribuição da espécie, ocorrendo na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica, conforme a organização SOS Pantanal, que atua na conservação do bioma desde 2009.

As ariranhas (Pteronura brasiliensis) pertencem à subfamília Lutrinae, conhecidos como mustelídeos, e são a maior dentre as 13 espécies de lontras da América do Sul, podendo chegar a quase 2 metros de comprimento e pesar entre 22 e 35 kg.

Além disso, são grandes predadoras e alimentam-se principalmente de peixes, caranguejos, sapos, cobras, lagartos, jacarés e outros vertebrados. Uma única ariranha pode consumir até 3 kg de peixe por dia, em torno de 10% do próprio peso.

Apesar de ser uma grande predadora, a espécie corre risco de extinção na Argentina e Uruguai.

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