Ameaçado de extinção, macaco-aranha tenta cruzar a BR-163 e é morto atropelado; vídeo flagra fuga de motorista

No vídeo, o macaco aparece saindo do canteiro central da rodovia e correndo em direção à pista, quando é atingido, repentinamente, por um caminhão.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que um macaco-aranha-da-testa-branca, é atropelado e morto ao tentar atravessar um trecho da BR-163, no perímetro urbano de Sorriso (MT).

O caso ocorreu no sábado (26) e foi confirmado ao Primeira Página pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sema-MT) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O vídeo do atropelamento foi registrado por uma motorista que estava parada às margens da rodovia. Veja abaixo:

Momento em que macaco-aranha é atropelado ao tentar cruzar trecho da BR-163 em MT. – Vídeo: Reprodução

Na cena, o macaco aparece saindo do canteiro central da rodovia e vai correndo em direção à pista. O animal chega a parar algumas vezes e depois voltar a correr, quando é atingido, repentinamente, por um caminhão.

Ferido, o macaco fica imóvel na pista e o motorista do veículo responsável pelo atropelamento segue viagem normalmente, sem prestar socorro. Não é possível ver a placa do carro nas imagens.

Macaco-aranha foi atropelado ao tentar atravessar rodovia em Sorriso (MT). - Foto: Reprodução
Macaco-aranha foi atropelado ao tentar atravessar rodovia em Sorriso (MT). – Foto: Reprodução

Espécie ameaçada de extinção

O macaco-aranha-da-cara-branca, também chamado de coatá, é classificado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como “Em Perigo”, uma das categorias oficiais de ameaça de extinção.

A ficha mais recente do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), publicada pelo ICMBio em 2025, mantém essa classificação.

Inclusive, a própria avaliação do ICMBio cita o asfaltamento de rodovias como um dos principais fatores que potencializam as ameaças à espécie. A ficha também aponta a perda e fragmentação do habitat e a caça como fatores relacionados ao declínio populacional.

A avaliação mais recente aponta uma possível redução de pelo menos 50% da população em 45 anos, período equivalente a três gerações do primata, encontrado também no Pará.

Macaco-aranha-da-cara-branca, também chamado de coatá, é raro e ameaçado de extinção. - Foto: Parque Ecológico de Americana
Macaco-aranha-da-cara-branca, também chamado de coatá, é raro e ameaçado de extinção. – Foto: Parque Ecológico de Americana

Outro fator que aumenta a vulnerabilidade da espécie é o ritmo lento de reprodução. A gestação das fêmeas pode durar de 210 a 232 dias, com o nascimento de apenas um filhote por vez, segundo o Centro Nacional de Primatas.

A espécie vive principalmente em florestas altas, incluindo áreas chuvosas, inundáveis e de terra firme, onde passa boa parte do tempo nas copas das árvores.

Órgãos não teriam sido acionados após atropelamento

Apesar da confirmação do caso, tanto o Ibama quanto a Sema-MT afirmaram à reportagem não terem sido acionados para socorrer ou encaminhar o corpo do animal.

Segundo a superintendência do Ibama, em casos de atropelamento envolvendo animais em rodovias federais, como a BR-163, é de responsabilidade do condutor acionar o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), da Nova Rota do Oeste, concessionária que administra a via.

Após o acionamento, a concessionária é quem deve acionar o Ibama para socorrer o animal ou encaminhar o corpo ao setor responsável. Mas, nenhum acionamento teria sido feito.

Monitoramento de animais na BR-163

A Nova Rota informou que equipes de inspeção de tráfego percorrem 24 horas por dia os trechos sob concessão e que a rodovia também conta com sistema de videomonitoramento.

Quando um animal silvestre é encontrado nas proximidades da pista, a orientação, quando possível, é realizar o afugentamento de forma segura para uma área de habitat adequada, com o objetivo de reduzir o risco de atropelamentos. Segundo a concessionária, os profissionais recebem treinamento e dispõem de equipamentos para manejo e transporte dos animais.

Nos casos em que animais silvestres são encontrados feridos ou mortos na rodovia, a concessionária informou que comunica a Sema-MT para conhecimento e eventuais providências.

Animais que precisam de atendimento veterinário são encaminhados a instituições especializadas parceiras, com os custos do tratamento assumidos pela concessionária. Quando o animal é encontrado morto, a Nova Rota afirma que realiza o sepultamento conforme o procedimento estabelecido pelo órgão ambiental responsável pelo licenciamento.

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Comentários (0)

  • Paulo Vinícius

    Atropelou na maldade mesmo poderia ter evitado,mas infelizmente falar em educação no Brasil é moralmente difícil que o diabo devolva em dobro a esse motorista ignorante e egoísta que atropelou e matou um animal em extinção.

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