Após longa viagem, mais de 100 espécies de aves migratórias retornam ao Pantanal
Entre maio e setembro, enquanto lagoas, baías, corixos e rios começam a baixar, milhares de aves aparecem na região em busca de alimento, abrigo e locais seguros para se reproduzir.
Com a chegada da seca no Pantanal, a paisagem muda — e o céu também. Entre maio e setembro, enquanto lagoas, baías, corixos e rios começam a baixar, milhares de aves aparecem na região em busca de alimento, abrigo e locais seguros para se reproduzir.
A movimentação chama atenção de quem passa pelo bioma. Alguns pássaros chegam de regiões próximas, outras cruzam países e até continentes antes de pousar no Pantanal. É o caso do maçarico-de-perna-amarela, que vem do Canadá e dos Estados Unidos, e da águia-pescadora, também migrante da América do Norte.

Segundo o geógrafo e monitor ambiental Antônio Coelho, que acompanha a movimentação das aves no Pantanal, esse deslocamento faz parte de um instinto construído ao longo de milhões de anos. As migratórias seguem ciclos bem definidos e se movem conforme encontram melhores condições de alimentação e reprodução.
Na seca, a água mais baixa concentra peixes em lagoas e cursos d’água, criando um verdadeiro “banquete” para espécies como o colhereiro e o cabeça-seca. Já nas margens dos rios, os bancos de areia que surgem nesse período atraem as chamadas aves de praia, como o talha-mar, também conhecido como taiamã, o corta-água e a gaivotinha.
Esses pássaros dependem das praias formadas às margens dos rios para se reproduzir. Sem esse ambiente, o ciclo natural delas pode ser comprometido. Por isso, a chegada e a permanência dessas espécies também revelam muito sobre a saúde do Pantanal e a importância da conservação do bioma.
Mas a migração não acontece apenas na seca. Durante o período chuvoso, de outubro a abril, o Pantanal também recebe espécies que aproveitam a fartura de insetos, plantas e áreas de reprodução. Nessa época, revoadas atraem espécies como andorinhas, tesourinhas e aves de rapina, entre elas o gavião-tesoura, o gavião-sauveiro, o gavião-do-mississipi e o corucão.
De acordo com Antônio Coelho, nem todas as rotas migratórias são totalmente conhecidas. Ainda assim, o comportamento das aves se repete ano após ano: elas aparecem e desaparecem em períodos parecidos, acompanhando as mudanças do clima, da água e da oferta de alimento.

Pesquisa
Ao todo, 99 espécies migratórias já foram identificadas na RPPN Sesc Pantanal. O dado foi divulgado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Muitas delas são parcialmente migratórias, ou seja, enquanto algumas populações permanecem na região, outras se deslocam conforme as condições ambientais.
O Pantanal também aparece no guia “Aves migratórias ocorrentes no Pantanal: diversidade, rotas e conservação” como uma área essencial para essas espécies em escala continental. A publicação destaca o bioma como um ponto estratégico para alimentação, descanso e reprodução ao longo do ciclo anual das aves.
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