Armadilha em toca revela que tatu-canastra dorme quase 20 horas por dia
Pesquisadores afirmam que este é o mamífero terrestre que mais dorme ao longo do dia
Uma pesquisa conduzida por cientistas do Projeto Tatu-Canastra, do Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), revelou que o tatu-canastra passa quase 20 horas por dia dormindo dentro de suas tocas. O comportamento foi identificado a partir do uso de armadilhas fotográficas e dispositivos de monitoramento instalados no interior das cavidades escavadas pelo animal.
Os registros mostram que, em média, o tatu-canastra permanece entre 75% e 80% do dia dentro da toca, em completo repouso. Segundo os pesquisadores, trata-se do mamífero terrestre que mais dorme ao longo do dia.
Como muitas dessas tocas são construídas sob cupinzeiros, a equipe acreditava inicialmente que o animal passasse parte desse tempo se alimentando. No entanto, dados obtidos por sensores de movimento corporal indicaram que, durante esse período, o tatu-canastra permanece praticamente imóvel, dedicando-se quase exclusivamente ao sono.

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é uma espécie exclusiva da América do Sul, com ocorrência nos biomas Pantanal, Amazônia, Cerrado e em áreas remanescentes da Mata Atlântica.
Considerado o maior tatu do mundo, pode atingir cerca de 1,5 metro de comprimento e pesar até 50 quilos. De hábitos noturnos e comportamento discreto, passa grande parte da vida escavando tocas profundas, que podem alcançar até cinco metros de extensão e 1,5 metro de profundidade.

A reprodução da espécie é extremamente lenta. O tatu-canastra atinge a maturidade sexual apenas entre os sete e nove anos de idade. A gestação dura cerca de cinco meses e resulta no nascimento de apenas um filhote a cada três ou quatro anos, o que torna a espécie altamente vulnerável a pressões ambientais.
Além disso, as tocas abandonadas pelo tatu-canastra exercem um papel ecológico fundamental, servindo de abrigo para mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 espécies de invertebrados, contribuindo significativamente para o equilíbrio dos ecossistemas onde o animal vive.
Apesar de sua importância ambiental, o tatu-canastra está ameaçado de extinção, principalmente em razão da perda e fragmentação de habitats. A conservação da espécie é considerada essencial não apenas para sua sobrevivência, mas também para a manutenção da biodiversidade nos biomas sul-americanos.
Projeto Tatu-Canastra
O Projeto Tatu-Canastra no Pantanal teve início em 2010, na Fazenda Baía das Pedras, localizada na sub-região da Nhecolândia, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa surgiu com o objetivo de desvendar aspectos fundamentais da ecologia, biologia, saúde, genética e história natural do maior tatu do mundo, até então pouco estudado.
Para isso, os pesquisadores utilizam armadilhas fotográficas, transmissores de rádio e a coleta de material biológico, ferramentas essenciais para compreender o comportamento, os hábitos e as condições de saúde da espécie, atualmente classificada como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Após mais de uma década de trabalho, o projeto já monitorou 44 indivíduos no Pantanal, um número expressivo considerando a raridade do tatu-canastra.
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