Armadilha fotográfica flagra amizade entre veado e pássaro em toca de tatu no Pantanal

Tatu-canastra deixa abrigo para muitas espécies em meio à mata

Parece enredo de filme infantil, mas é pura arte da natureza pantaneira! Um filhote de veado-catingueiro se refugiou na toca de um tatu-canastra para fugir dos 39°C que fazia e acabou encontrando bem mais do que um “refresco”.

Vídeo feito com fotos do ICAS

Cenas capturadas pelo sistema de monitoramento do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) mostram a aproximação do “Bambi” com uma gralha-do-pantanal.

Além da amizade inusitada, outro fato que chama a atenção é a parada escolhida pelos animais, mesmo que de forma passageira. A toca, na verdade, é um cupinzeiro reestruturado pelo tatu-canastra.

Conforme o ICAS, o animal é considerado o “engenheiro do ecossistema”. Ao abandonar sua casa, outras espécies são favorecidas.

Bambi

No caso citado acima, para além da romantização aos olhos humanos, tecendo amizade entre os bichinhos, a verdade é que a gralha auxiliou o veadinho “comendo parasitas ou insetos no corpo dele, além de poder alertar sobre a presença de um potencial predador”.

Sendo assim, além de ser um local fresco, a toca se tornou espécie de estação de limpeza.

Moradores

O tatu-canastra é considerado uma espécie engenheira do ecossistema. Suas tocas, que podem chegar a até cinco metros de profundidade, modificam o ambiente e criam novos habitats utilizados por diversas espécies de vertebrados.

Mesmo em regiões onde o tatu-canastra é raro, essas escavações permanecem no ambiente e continuam exercendo papel ecológico relevante. Estudo revelou que até onças-pintadas são “moradoras”.

Antes desse registro, outras espécies de mamíferos, como tamanduás, tatus menores e carnívoros de médio porte, já haviam sido observadas usando tocas de tatu-canastra para abrigo ou descanso.

No entanto, não havia relatos de interação desse tipo envolvendo a onça-pintada, o maior predador terrestre das Américas.

O animal registrado no estudo era um macho relativamente pequeno para a espécie, com cerca de 70 quilos, o que pode ter facilitado o uso da toca.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que não é possível afirmar se o comportamento é comum entre outras onças ou se se trata de uma característica individual.

O estudo ressalta que, com o aumento das temperaturas previsto em cenários futuros de mudanças climáticas, as tocas de tatu-canastra podem se tornar ainda mais importantes como refúgios térmicos, reservatórios de umidade e abrigo contra condições climáticas extremas para diversas espécies do Cerrado.

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