Armadilhas fotográficas e IA revelam vida secreta da onça-pintada na Serra do Amolar

Pesquisa começa em março e será dividido em 2 etapas: levantamento fotográfico e conscientização do moradores que vivem nas comunidades pantaneiras

Cada vez mais aplicada às rotinas de trabalho, estudo e pesquisa, a IA (Inteligência Artificial) também será aliada de pesquisadores do IHP (Instituto Homem Pantaneiro) na preservação da onça-pintada, na Serra do Amolar, no “coração” do Pantanal de Corumbá.

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Onça-pintada tomando água em corixo no Pantanal. (Foto: Luciano Candisani)

O objetivo é apurar em detalhes a população de felinos neste que é um verdadeiro oásis de preservação no bioma. Para isso, a partir de março, cerca de 40 novas armadilhas fotográficas serão instaladas nas matas do território. A previsão é de que sejam registradas, no prazo de 12 meses, mais de 120 mil imagens de fauna, que serão catalogadas com o apoio da Inteligência Artificial (IA) e analisadas pela equipe técnica do Instituto.

A partir da coleta dos dados ecológicos, conforme o IHP, o intuito é garantir que sejam obtidas informações científicas que permitam identificar indivíduos da maior espécie de felinos da América, entender comportamentos e possibilitar que analistas do IHP realizem o monitoramento ambiental de forma contínua, com deslocamentos de mais de 400 km pelo rio Paraguai.

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Onças flagradas por uma das câmeras do IHP. (Foto: IHP)

O projeto foi aprovado dentro do Fundo Luz Alliance, gerido pela organização BrazilFoundation, e está alinhado à convocação da Década da Restauração dos Ecossistemas, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O levantamento fotográfico, a partir da instalação das armadilhas, é a primeira etapa do projeto. A segunda etapa é voltada para a educação ambiental: os pesquisadores irão até as comunidades para reforçar aos pantaneiros que é possível coexistir com a onça-pintada no bioma, desde que haja preservação e respeito à espécie, conforme explica Wener Hugo Moreno, coordenador técnico do núcleo de Biodiversidade e Mudanças Climáticas do IHP.

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Instalação de armadilha fotográfica no Pantanal. (Foto: IHP)

“Esse projeto é fundamental para permitir que tenhamos um grande grid de camera traps na Serra do Amolar. Com esses equipamentos, conseguimos registrar a presença dos animais e, a partir disso, desenvolver uma série de pesquisas. Nessa etapa, queremos estimar a abundância e a densidade desse animal no território da Serra do Amolar, que forma um grande corredor de biodiversidade dentro do Pantanal. Vamos também ter um desdobramento para entender e contribuir com a coexistência dessa espécie com as pessoas que habitam a região. Serão frentes diferentes que iremos conduzir nesse projeto, mas que se complementarão para trazer resultados positivos na conservação e para o bem-estar comunitário.”

Wener Hugo Moreno.

Na pesquisa, ainda conforme o IHP, serão empregadas técnicas de monitoramento populacional e de coexistência humano-onça. Com o projeto, a equipe técnica terá condições de desenvolver e implementar estratégias para favorecer as comunidades da região do Alto Pantanal, principalmente por garantir informações que podem ajudar a reduzir a predação de animais domésticos e mitigar os conflitos com onças.

Flagrantes feitos pelas câmeras do IHP. (Vídeo: IHP)

A proposta também envolve permitir que sejam desenvolvidas ações que reduzam a tensão entre comunidades e a espécie. Estarão envolvidos na execução do projeto biólogos, médicos-veterinários, brigadistas ambientais, assistentes sociais, auxiliares de reserva e piloteiros que atuam pelo IHP.

A catalogação de dados científicos e as análises a serem desenvolvidas também poderão subsidiar trabalhos que favoreçam uma estratégia de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) para a geração futura de créditos de biodiversidade no projeto Jaguar Stewardship in the Pantanal Conservation Network.

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Onça-pintada na Serra do Amolar. (Foto: André Zumak)

Essa medida permite a continuidade de atividades de monitoramento e conservação da onça-pintada, bem como o fomento de ações em parceria com comunidades. O projeto terá duração de 12 meses. A expectativa é de que o projeto Luz Alliance no Pantanal possa, futuramente, dialogar com esforços da política pública nacional de conservação da onça-pintada.

Os resultados científicos gerados também poderão subsidiar materiais do Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos (PAN da Onça-Pintada), do Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de Espécies de Mamíferos Carnívoros (Cenap), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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