Borboleta bebe lágrimas de sucuri? Flagra da natureza esconde segredo biológico
"Flagrante gravado no Rio da Prata acumulou milhares de visualizações e despertou dúvidas: afinal, insetos podem extrair nutrientes de serpentes?"
Um vídeo fascinante gravado no Recanto Ecológico Rio da Prata, localizado no em Jardim, chamou a atenção da internet ao mostrar uma delicada borboleta pousada exatamente na cabeça de um filhote de sucuri-verde.
Nas imagens gravadas pelo fotógrafo da natureza Gilson Botelho, o inseto insiste em caminhar e estender sua tromba bem próxima aos olhos e à boca da serpente, que apenas faz movimentos sutis com a cabeça, demonstrando um leve incômodo com o toque.
A interação incomum dividiu opiniões: enquanto internautas ficaram maravilhados com a “delicadeza” e “coragem” da borboleta em desafiar um predador gigante, outros chegaram a suspeitar de que as imagens tivessem sido criadas por inteligência artificial.
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O material foi submetido a plataformas de detecção de IA e teve sua autenticidade confirmada com 99% de confiança. Mas afinal, o que o inseto estava fazendo ali? Ele estaria bebendo as lágrimas da cobra, como ocorre com jacarés e outros répteis?
Cobras não choram!
Embora o fenômeno da borboleta bebendo lágrimas de répteis, conhecido na biologia como lacrifagia, seja amplamente documentado em jacarés e tartarugas na região amazônica e no Pantanal, o mesmo nunca acontece com cobras.
As serpentes possuem uma anatomia ocular completamente isolada do ambiente externo. Elas não têm pálpebras móveis e seus olhos são protegidos por uma escama fundida e totalmente transparente, chamada pelos especialistas de “óculos” ou escama ocular.
Todo o líquido lubrificante produzido ali dentro é drenado internamente direto para a boca por canais nasais, o que impede que as cobras chorem ou acumulem lágrimas externas em seu rosto.

Sais minerais e termorregulação
Se a borboleta não estava bebendo lágrimas, o inseto pode ter sido atraído por duas necessidades vitais: nutrientes e calor.
As borboletas precisam constantemente de sódio e outros minerais essenciais para a sua reprodução, que normalmente extraem de poças de lama ou carcaças através de um comportamento chamado mud-puddling.

No vídeo, a cabeça da sucuri funcionou como uma pequena ilha aquecida sob a linha d’água. Ao estender sua tromba sobre a cobra, a borboleta estava recolhendo secreções orgânicas e sais minerais acumulados da própria água do rio na textura da pele do réptil.

Além disso, as serpentes são animais ectotérmicos (de sangue frio) que buscam os raios solares para se aquecer. A pele da sucuri exposta ao sol torna-se uma plataforma aquecida ideal para a borboleta absorver energia térmica para os seus músculos de voo.
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