Borboleta-monarca é o único inseto do mundo protegido por tratado internacional

Se destaca entre 393 espécies de aves, 166 mamíferos, 10 répteis e 69 peixes, debatidos na COP 15

A borboleta-monarca ocupa uma posição única no cenário da conservação global. Ela é o único inseto listado na Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS), tratado internacional que protege espécies migratórias ameaçadas em todo o mundo.

Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo
Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo (Foto: Reprodução/CMS)

Incluída na convenção desde 1979, a monarca se destaca entre 393 espécies de aves, 166 mamíferos, 10 répteis e 69 peixes, que serão debatidos durante a COP 15 em Campo Grande, órgão responsável pela CMS.

Considerada uma das borboletas mais conhecidas e estudadas do planeta, a monarca (Danaus plexippus) é um inseto invertebrado e herbívoro marcado por um comportamento impressionante e único, a migração sazonal.

Todos os anos, milhões de indivíduos deixam regiões dos Estados Unidos e do Canadá no outono em direção ao sul da Califórnia e ao México, em busca de temperaturas mais amenas.

Durante esse deslocamento, as borboletas podem percorrer mais de 4 mil quilômetros, partindo do Canadá até as montanhas da região central do México, onde passam o inverno.

Quando os dias voltam a ficar mais longos e as temperaturas sobem no hemisfério norte, iniciam a viagem de retorno, fazendo paradas ao longo do caminho para reprodução e postura de ovos.

A navegação durante essa jornada é outro aspecto que intriga cientistas. As monarcas utilizam a posição do sol como referência, mas também contam com uma espécie de “bússola magnética”, que permite manter a rota mesmo em dias nublados.

Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo (Foto: Reprodução/CMS)
Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo (Foto: Reprodução/CMS)

Venenosas

Outro mecanismo de sobrevivência está nas cores vibrantes das asas. Os tons alaranjados e pretos funcionam como um alerta para predadores, indicando que o inseto é tóxico.

Essa defesa tem origem na alimentação: ainda na fase de lagarta, as monarcas consomem a erva-leiteira (Asclepias spp.), uma planta venenosa.

Ao longo da evolução, desenvolveram a capacidade de tolerar e armazenar essas toxinas no organismo, tornando-se nocivas para animais como pássaros.

Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo
Borboleta monarqua é único inseto protegido no mundo

Ameaça 

Apesar de sua ampla distribuição e capacidade de adaptação, as populações migratórias enfrentam uma combinação de ameaças que preocupam especialistas.

Entre os principais fatores estão as mudanças climáticas, que alteram padrões de temperatura e precipitação, impactando diretamente a migração, a hibernação e a reprodução da espécie.

De acordo com a CMS, temperaturas mais altas podem interferir nos sinais naturais que orientam o deslocamento das borboletas, enquanto eventos extremos, como tempestades e ondas de frio fora de época, aumentam o risco de mortalidade.

Em 2002, por exemplo, uma tempestade no México dizimou cerca de 80% da população em hibernação. Atualmente, os principais locais de hibernação no México são protegidos pela Reserva da Biosfera da Borboleta-Monarca, reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Além disso, a mudança nas condições climáticas afeta a própria erva-leiteira, planta essencial para o ciclo de vida da espécie, que pode migrar para regiões mais ao norte, como o Brasil. Isso obriga as borboletas a percorrer distâncias maiores, reduzindo o tempo disponível para reprodução.

A expansão urbana, a agricultura intensiva e o desmatamento também agravam o cenário, já que comprometem tanto as áreas de reprodução quanto os locais de hibernação. O uso de pesticidas, especialmente neonicotinoides, é apontado como mais um fator de risco.

O órgão responsável pela governança da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres é a Conferência das Partes (COP), que se reúne a cada três anos para avaliar os avanços, atualizar os apêndices da convenção e definir as prioridades de conservação.

Mesmo diante das pressões ambientais, a borboleta-monarca ainda é classificada como “Pouco Preocupante” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. No entanto, especialistas alertam que a combinação de ameaças pode alterar rapidamente esse status.

COP 15

O debate sobre a conservação de espécies migratórias ganha destaque internacional com a realização da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada entre os dias 23 e 29 de março de 2026 no Bosque Expo, em Campo Grande.

A capital sul-mato-grossense foi escolhida como sede pois abriga mais de 60% do Pantanal, além do Cerrado e da Mata Atlântica, que recebem inúmeras espécies durante seus ciclos migratórios.

O encontro reúne representantes de diversos países para discutir estratégias de proteção da biodiversidade, incluindo ações voltadas a espécies que atravessam fronteiras, como a borboleta-monarca.

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